Deixar as áreas metropolitanas de Lisboa e regressar à cidade é a nova opção dos jovens casais, segundo um estudo da agência de publicidade e marketing BBZ.

A reabilitação de casas antigas é a tendência dos que pretendem viver no centro lisboeta, que compram uma casa por 50 ou 60 mil euros a fim de a renovar.

Vítor Tito, diretor geral da BBZ, reitera que os jovens casais «começam a valorizar o facto de poderem viver perto de onde trabalham».

De acordo com o diretor, isto deve-se a uma ótica de custos, «porque viver na margem sul começa a ser relativamente caro, as portagens, o combustível, as deslocações e a rede de transportes públicos não é solução», explicou.

«Há um fenómeno que chamamos cocooning, ou seja, numa altura de crise, as pessoas vivem muito mais dentro de casa, (pelo que) se reduzem o número de refeições que fazemos fora de casa, e muitas vezes substituímos o jantar fora com os amigos por um jantar feito em casa» com os mesmos, justificou Vítor Tito, salientando que as áreas privadas da casa são vistas como «uma segunda prioridade».

Questionado sobre as zonas mais escolhidas por estas famílias, o representante disse que «o conceito de reabilitação urbana relacionada com as zonas históricas desapareceu», apontando que nas Avenidas Novas, em Campolide e em Campo de Ourique há «número significativo de habitações devolutas», pelo que são estes os bairros mais procurados.

O diretor-geral da BBZ assinalou, contudo, que persistem problemas neste processo, como um «distanciamento efetivo entre os arquitetos e os consumidores» e relacionados com os «custos financeiros» das obras.

Para solucionar estas e outras questões, a CML criou o programa RE9, que apresenta benefícios fiscais para os moradores que pretendam fazer obras em casa, assim como acordos com a Ordem dos Arquitetos e com o banco Montepio, para as financiar, entre outras entidades.

O vereador Manuel Salgado esclareceu que este programa permite «fazer pequenas intervenções no município», criando assim um movimento que tem por fim «tornar a reabilitação mais atrativa» e ainda levar a que cada vez mais pessoas se fixem na cidade, que conta atualmente com 500 mil habitantes.

Para o estudo sobre o potencial do mercado da renovação foram inquiridas 800 pessoas por todo o país, das quais 47% afirmaram ter intenções de fazer estas obras.