O secretário de Estado do Ambiente, José Mendes, referiu esta sexta-feira que os serviços de transportes públicos quer do Porto quer de Lisboa são "diferentes", pelo que poderão surgir "soluções diferenciadas" de modelo de gestão.

Sobre a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), José Mendes reiterou que "a subconcessão vai ser travada", sendo que os "moldes" para este travão "estão a ser estudados".

Quanto à Metro do Porto, o governante também referiu que o processo está a ser analisado, garantindo que não existe risco de "rutura de serviço".

"A subconcessão foi parada. Quer nesses dois casos quer nos casos dos transportes de Lisboa [Carris e Metro de Lisboa], estamos a falar de quatro serviços que são diferentes, o que significa que o modelo que vai ser feito daqui para a frente pode ter soluções diferenciadas", referiu o secretário de Estado.


José Mendes, que falava aos jornalistas após visitas a estações de metro e autocarros do Porto, bem como de reuniões com trabalhadores e sindicatos do setor, não avançou com datas para que os modelos de gestão estejam definidos mas referiu que "demorará pelo menos um par de meses" porque, disse, "não é uma coisa que se faça de um dia para o outro".

Questionado concretamente sobre o modelo para a STCP, vincando sempre que está o processo está em análise, o governante não escondeu que admite "algum nível de tutela por parte dos municípios".

"Ou há por parte da Área Metropolitana [do Porto], ou de um subconjunto de municípios da Área Metropolitana, a assunção de responsabilidades de tutela no caso da STCP, ou pode haver aqui um posicionamento talvez um pouco mais relevante por parte do município do Porto por ser o centro. Mas está a ser analisado", descreveu.

"Há várias geometrias possíveis. Há uma coisa que eu sei que é que: o que resultar daqui será sempre uma solução melhor do que aquela que estava a ser preparada com a subconcessão de uma rede que ao que parece não satisfazia uma boa parte dos municípios e dos utentes", acrescentou.

Perante a afirmação sobre o grau de satisfação dos utentes, José Mendes foi então confrontado com a possibilidade da atual rede ser ou não revista: "O que estava no caderno de encargos para a subconcessão não correspondia àquilo que eram as aspirações. Havendo desenvolvimentos, isso terá de ser corrigido", respondeu.

A garantia de que a subconcessão foi parada tranquilizou a Comissão de Trabalhadores (CT) da STCP, mas o coordenador Pedro Silva reiterou que esta estrutura é "contra" a municipalização da empresa.

"É nossa convicção que a empresa deve-se manter na esfera pública na parte central. Somos contra a municipalização da empresa por si só mas estamos abertos à discussão", referiu o representante dos trabalhadores também após a reunião com o secretário de Estado.

Pedro Silva contou ter procurado fazer passar a preocupação da CT "pelo estado em que caiu a empresa com a perda brutal de passageiros, perda brutal de viagens e falta de efetivos".

O responsável apontou a necessidade "no mínimo de mais 70/80 motoristas", pelo que pediu ao novo Governo que "acelere" os processos de admissão.