
A Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) admitiu esta segunda-feira alargar «a luta» dos trabalhadores da Carris, que cumprem hoje uma greve parcial de duas horas diárias, a outros meios de transporte.
«Vamos discutir a evolução desta forma de luta com os trabalhadores, durante esta semana, e não é de excluir que venha a envolver todo o setor dos transportes», disse à Lusa Manuel Leal, da FECTRANS, que abrange todos os sindicatos de transportes filiados na CGTP.
Sobre a greve da Carris, à primeira e última hora de trabalho, que teve hoje início e se prolonga até domingo (13 de maio), o também dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP) considerou que vai ter uma adesão elevada, embora não tenha avançado números.
«É difícil ter dados percentuais porque como a greve é à primeira e última hora de cada turno há sempre trabalhadores a pegar e a largar o serviço. Mas temos a perspetiva de níveis de adesão elevados pois muitos trabalhadores ficaram na respetiva estação a aguardar o fim daquela primeira hora», justificou o sindicalista.
Manuel Leal acrescentou que a perceção dos efeitos da greve foi também dificultada pelo facto de a empresa ter decidido adotar os horários das carreiras dos períodos de férias escolares, o que significa que «há menos autocarros a circular em cada carreira».
Os trabalhadores da Carris reivindicam o cumprimento do acordo de empresa e a reposição «do roubo efetuado nos subsídios de férias e de Natal».
A administração da empresa justificou a adoção dos horários escolares como forma de «minimizar» os efeitos da paralisação.
«A forma como [a greve] foi concebida provoca acentuadas descontinuidades no funcionamento de todas as carreiras, com elevada repercussão ao nível da irregularidade global do serviço», disse fonte da empresa.
Os horários escolares serão praticados em 27 carreiras, o equivalente a cerca de 30 por cento da oferta normal da Carris.