A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) divulgou esta terça-feira lucros de 6,4 milhões de euros relativos a 2017, em comunicado ao mercado, revendo em baixa o resultado líquido de 30,1 milhões de euros apresentado em fevereiro.

A contribuir para a revisão em baixa dos lucros esteve o aumento das imparidades para crédito (provisões para perdas potenciais com empréstimos), uma vez que tinham sido constituídos 138 milhões de euros pela anterior administração do banco e a atual reviu para 160,7 milhões de euros, ainda assim abaixo das imparidades constituídas em 2016 (182,5 milhões de euros), segundo a informação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"O mais relevante foi o ajustamento das imparidades que se deveu à avaliação que fizemos – em conjunto com a auditoria e auditores – de alguns dossiês de crédito numa ótica de prudência", disse em declaração aos jornalistas Carlos Tavares, que é presidente da CEMG desde março.

Em causa não estão novos créditos com provisões, mas um reforço das provisões em créditos que já estavam provisionados, explicou.

As contas hoje apresentadas, de lucros de 6,4 milhões de euros em 2017 (menos 23,7 milhões do que o divulgado em 08 de fevereiro), estão já auditadas e certificadas.

No início de fevereiro, a administração do Montepio liderada por Félix Morgado apresentou lucros de 30,1 milhões de euros referentes a 2017, depois de quatro anos consecutivos de prejuízos (2013, 2014, 2015 e 2016) que superaram os 800 milhões de euros em termos acumulados.

Félix Morgado saiu da liderança do banco Montepio em março, sendo substituído pelo ex-presidente da CMVM Carlos Tavares.

A saída de Félix Morgado já vinha sendo antecipada, sendo até conhecida a relação conturbado com o presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (a dona da CEMG), Tomás Correia.

Montepio não deverá precisar de aumento de capital este ano

O presidente da Caixa Económica Montepio Geral disse ainda que o banco não deverá precisar de um aumento de capital este ano do seu único acionista, a Associação Mutualista Montepio Geral.

"Tanto quanto podemos antecipar, não", disse Carlos Tavares, questionado hoje num encontro com jornalistas, em Lisboa, sobre se o banco necessitará de um aumento de capital do acionista.

Segundo o responsável, a instituição tem “capital suficiente para desenvolver a sua atividade”.

Já este ano, como estava previsto, o Montepio realizará uma emissão de dívida subordinada de 250 milhões de euros, que servirá para reforçar rácios de capital, o que os responsáveis do banco esperam que possa acontecer no terceiro trimestre.

Sobre a intenção da Associação Mutualista Montepio Geral de criar um banco da economia social, através de entidades como misericórdias, considerou que “há muita atividade bancária de que essas instituições precisam”, pelo que para o Montepio poderia ser bom ter uma relação mais próxima.

“Não me custa nada aceitar que o Montepio deva ser um banco, quer pela sua origem quer pelo seu acionista, que tenha de ter uma presença tão forte quanto possível na economia social", afirmou.

Sobre a abertura de capital, não se quis pronunciar especificamente, mas considerou que em qualquer sociedade anónima é "útil" ter vários acionistas, para que prestem contas entre si.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) tem sido falada para entrar no capital do Montepio, um tema que provocou já muita polémica. Na semana passada, o provedor, Edmundo Martinho, disse que a instituição está “tranquilamente” em "compasso de espera" pela “definição do Governo” para avaliar esse investimento.