O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, admitiu esta quinta-feira que o supervisor está preocupado com a estabilidade do Banco Espírito Santo (BES), face à sequência de notícias negativas que tem vindo a público recentemente.

Ricardo Salgado detido está a ser ouvido no TIC

Grupo Espírito Santo alvo de buscas

«Preocupa-nos a estabilidade da instituição», afirmou o responsável perante os deputados da comissão do Orçamento e Finanças, numa audição especial sobre a situação do Grupo Espírito Santo (GES), do qual o BES é o principal ativo.

Carlos Tavares realçou que o já denominado caso BES, «é um caso clássico de conflito entre a supervisão de natureza prudencial e a comportamental», isto, porque «a supervisão prudencial tem como principal objetivo manter a estabilidade do sistema e a comportamental fornecer ao mercado o máximo de informação possível».

Assim, tem que haver um fino «equilíbrio» entre ambas, defendeu, já que, se por um lado, o supervisor quer fornecer aos investidores o máximo de informação sobre uma entidade (cotada ou emitente) mas, por outro, não quer criar demasiado barulho em torno da mesma de forma a não criar situações prejudiciais ao nível do mercado.

O presidente da CMVM salientou que o objetivo é prestar a informação mais fidedigna sobre a situação de uma entidade, «mas não criar alarmes maiores do que o necessário, que possam por em causa a estabilidade da instituição».

Daí, vincou que a sua «preferência» é o modelo de separação entre ambas, através de duas entidades de supervisão distintas.