O secretário-geral da UGT disse hoje que a precariedade é um problema que torna urgente a discussão do salário mínimo, mas defendeu que esta deve realizar-se num ambiente «menos nervoso e com menos fumaça» do que em campanha eleitoral.

«A precariedade realmente é um problema. Isso vem tornar ainda mais urgente a necessidade de discutirmos o que andamos neste momento a discutir em todo o país de uma forma muito agressiva que é a questão do salário mínimo nacional (SMN)»,referiu Carlos Silva.

O sindicalista falava aos jornalistas em Castelo Branco, após uma visita ao "call center" da PT, onde trabalham cerca de 750 pessoas, sobretudo jovens.

O líder da UGT sublinhou que, qualquer que seja a próxima reunião de concertação social para discutir as matérias do SMN ou outras que os empresários queiram discutir, «deverá ser feita num ambiente mais lúcido, menos nervoso e com menos fumaça do que aquele que será sempre envolvido em plena campanha eleitoral».

De acordo com Carlos Silva, o movimento sindical deve fazer um esforço para ser «imune a isso».

O sindicalista referiu-se ainda à visita que fez ao "call center" da PT, que disse ser «um exemplo de trabalho precário e de trabalho no interior do país».

«Quando reclamamos que o interior está desertificado é bom saber e constatar que há grandes empresas no país que continuam a apostar na deslocalização dos grandes centros urbanos para o interior», adiantou.

Carlos Silva disse que ver uma empresa com 750 trabalhadores é de realçar e sublinhou que é motivador porque permite, sobretudo aos jovens que vivem num raio de 40 quilómetros, ter uma possibilidade de ganhar um salário.

O sindicalista referiu que a precariedade é um problema, mas que, perante a existência de mais de 800 mil desempregados, é preciso dar esperança às pessoas para que num momento de crise se possam encontrar alternativas.

«Essa alternativa é, infelizmente, através da manutenção da precariedade, mas vale mais ter um trabalhador com um contrato precário do que ter um trabalhador sem trabalho e sem apoio social. Às vezes é um mal menor, mas temos de reconhecer que há aqui trabalhadores com precariedade e com salários mínimos», concluiu.