O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou esta quarta-feira não competir à central sindical pronunciar-se "sobre governos e a sua formação", mas sim "exigir" que o próximo executivo, seja "à direita ou à esquerda", "governe e governe bem".

"Precisamos de confiança na nossa economia. Depois de quatro anos de sacrifícios vividos temos que reverter estas políticas", sustentou o dirigente sindical na sessão de abertura da conferência 'Setor Bancário Português: a Supervisão e a Regulação. Que regras para uma efetiva estabilização do sistema financeiro e a recuperação da sua credibilidade', que hoje assinala, no Porto, o 37.º aniversário da UGT.

Desvalorizando se o próximo primeiro-ministro "é Passos Coelho ou António Costa" ou se o executivo é "à direita ou a esquerda", Carlos Silva sustentou que "o que importa são as políticas que vão ser implementadas".


"Neste momento difícil da vida do país não temos que nos pronunciar sobre governos e a sua formação, mas temos que exigir que [o próximo executivo] governe e governe bem"


Numa alusão ao facto de a conferência de hoje contar com a participação "dos mais altos responsáveis do sistema financeiro" - designadamente os presidentes da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Faria de Oliveira, e do Millenium BCP, Nuno Amado, para além do administrador do Banco de Portugal (BdP) Hélder Rosalino - Carlos Silva ironizou que será provavelmente encarado por muitos como mais um exemplo da "UGT a compactuar com o patronato".

Contudo, disse, estas são "acusações torpes de quem nunca escolheu a negociação como via para a paz social e para resolver os problemas dos trabalhadores": "Recuso e rejeito em absoluto as acusações de sermos instrumentalizados. Temos que estar sempre à mesma mesa. Não somos daqueles que atacamos o empresário ou vemos nele o inimigo", disse, defendendo que "a tolerância e o aprofundamento do diálogo têm que fazer novamente parte" da vida política nacional.

"Precisamos de dar as mãos, não é com crispação que resolveremos os problemas do país", sustentou, acrescentando que "a partir do momento em que haja estabilidade governativa é preciso começar a dar passos firmes e certos", mas não acreditar "que, de um dia para o outro, alguém mude as suas convicções e a sua fé".

No seu discurso, e numa alusão à polémica gerada em torno das suas recentes declarações defendendo um Governo de coligação PSD/CDS-PP com o compromisso do PS, que de imediato geraram reações divergentes na UGT, Carlos Silva disse não aceitar que lhe imponham "a lei da rolha".

"Não sou catavento, não deixarei nunca de dar a minha opinião"