A UGT não se opõe à convocação de eleições antecipadas, embora defenda que o país necessita de estabilidade governativa, coesão interna no Governo e credibilidade, disse o secretário-geral, Carlos Silva, aos jornalistas, após uma audição com o Presidente da República.

Para a central sindical, «mais importante do que a dança das cadeiras é alterar as políticas dos últimos dois anos».

Lembrando que «aconteceu o impensável» com a demissão de duas figuras de peso do Governo, que «surpreendeu o país», Carlos Silva considerou que os eventos da semana passada «abalaram a confiança dos cidadãos e puseram em causa a credibilidade interna e externa de Portugal».

Lembrando a reação de «pânico» na bolsa, a UGT sublinhou sobretudo o impacto nas empresas, lembrando que a instabilidade política «retira aos empresários vontade de investir no próprio país, para criar emprego».

Por isso, diz, «todos os autores devem ser corresponsabilizados nesta decisão».

Antes da UGT, Cavaco Silva tinha ouvido a CGTP. À saída, o secretário-geral da intersindical, Arménio Carlos, disse aos jornalistas que pediu ao Presidente a marcação de eleições antecipadas.

«Não convocar eleições é descredibilizar a política e as instituições», disse, acrescentando que «manter este Governo é manter uma situação insustentável».



Defendendo que «os interesses nacionais têm que se sobrepor aos interesses partidários», Arménio Carlos disse ainda que «a democracia não pode ficar refém dos interesses do PSD e do CDS/PP. A democracia precisa de respirar. Para isso, é preciso dar a voz ao povo».

«Dar o benefício da dúvida a quem colocou o País numa situação económica e social de calamidade era ser cúmplice dessa política», afirmou.

Ontem foram ouvidas as confederações patronais, que foram pedir ao Presidente que não convoque eleições antecipadas. Antes disso, tinham sido já ouvidos os partidos políticos com assento parlamentar e o governador do Banco de Portugal.