O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, considera que a central ainda é vista com desconfiança pela CGTP mas vai continuar a apostar na convergência com a sua congenere sempre que possível e necessário, sobretudo a nível setorial.

UGT está «mais próxima» dos trabalhadores

«A UGT ainda é vista pela CGTP com desconfiança», disse Carlos Silva em entrevista à agência Lusa, considerando que há pessoas que nunca conseguiram ultrapassar a tentativa de unicidade sindical, que foi quebrada com a criação da UGT há 35 anos.

Por isso, segundo o sindicalista, a convergência entre as duas centrais tem ocorrido «mais ao nível setorial».

«A UGT tem consciência de que para dançar um tango é preciso um par», afirmou defendendo o princípio do respeito mútuo como fundamental.

De acordo com Carlos Silva, a UGT «respeita na plenitude as competências e a forma de trabalhar da CGTP e exige» o mesmo respeito.

«Quando há possibilidade de convergência continuamos a apostar nela, mas não tem havido grandes oportunidades de as duas centrais andarem de mão dada, embora no último ano tenhamos estado mais vezes unidas que em anos anteriores devido às atuais circunstâncias», disse.

O sindicalista reconheceu que as duas centrais sindicais têm formas de atuar diferentes, embora tenham os mesmos objetivos - defender os trabalhadores.

«Para a UGT o grande desafio continua a ser a luta à mesa das negociações, com as entidades patronais e com o Governo, mas por vezes há necessidade de recorrer à luta», disse referindo que no último ano a UGT participou, nomeadamente, numa grave geral, em manifestações de professores e em greves de transportes.

Salientou que em momentos importantes as duas centrais conseguem convergir, mas defendeu que não se pode andar todos os dias na rua em formas de luta porque isso tem custos para os trabalhadores, que perdem o seu salário, e custos políticos para os sindicatos.

«Antes era a UGT que fazia concentrações de dirigentes e ativistas sindicais, porque temos consciência que é difícil mobilizar milhares de trabalhadores para os protestos, mas hoje já não é a única», afirmou lembrando um dos mais recentes protesto da Intersindical, junto ao Ministério do Emprego.

Carlos Silva afirmou ainda que «a UGT nunca lançou os trabalhadores para lutas inglórias, antes vê sempre se existem possibilidades de diálogo e de alcançar os objetivos pretendidos».

«Porque a luta pela luta não se justifica. O mundo evoluiu», disse acrescentando que, «apesar de tudo, a UGT tem conseguido sempre encontrar pontes de diálogo com o Governo e com os empresários».

Carlos Silva foi eleito no XII congresso da UGT, a 21 de abril de 2013, e nessa altura prometeu aproximar-se das bases e descentralizar as responsabilidades sindicais.