O líder da UGT criticou, nesta terça-feira, a estratégia das confederações empresariais no que toca à questão do salário mínimo, considerando-as em parte responsáveis pelo facto de o Governo não ter conseguido alcançar um acordo em sede de concertação social.

"Quem nos últimos dois meses tanto falou na valorização da concertação social, no papel dos parceiros sociais, de não querer fazer transitar para o parlamento um conjunto de matérias que devem ser dos parceiros sociais e, na primeira grande oportunidade de valorizar a concertação, deixou fugir esta possibilidade de se obter um acordo de concertação, parece-me que não foi uma boa estratégia", afirmou o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, em declarações à agência Lusa.

"As confederações empresariais, em sede de concertação social na passada semana, entre elas próprias não chegaram a acordo para que se assinasse um acordo, passando a redundância das palavras", assinalou em declarações feitas no final de uma reunião de duas horas com os representantes da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), entre os quais o presidente João Vieira Lopes.

"Foram as confederações empresariais que puseram em cima da mesa uma situação que a nosso ver, UGT, dificultou a obtenção de um acordo de concertação social, que foi obrigarem os seis parceiros sociais a assinar, quando nós sabemos que a CGTP já tinha colocado muita dificuldade em relação à aceitação da TSU", especificou Carlos Silva.

"Não vou discutir os propósitos da CGTP, isso diz respeito exclusivamente à central sindical, compreendemos esses propósitos - podemos não estar de acordo -, mas as confederações empresariais têm aqui uma quota-parte de grande responsabilidade pelo facto de o Governo não ter conseguido esse acordo", reforçou.

De resto, os elementos da UGT e da CCP que participaram na reunião bilateral realizada na sede da central sindical debateram temas como o salário mínimo, a contratação coletiva e a concertação social.

O desbloqueamento da contratação coletiva foi um dos pontos defendidos por Carlos Silva, que destacou que "por influência da troika" o número de trabalhadores abrangidos por este instrumento baixou de dois milhões no final de 2008 para cerca de 200 mil no final de 2013, um número que, segundo o responsável, se manteve quer em 2014 quer em 2015.

"Importa haver uma reversão desta tendência", vincou o líder sindical.

Sobre o valor de 530 euros definido pelo Governo para o salário mínimo nacional que vai vigorar a partir de janeiro, Carlos Silva disse que o mesmo se aproximou da proposta da UGT, que era de 535 euros.

"Compreendemos as lamúrias das empresas, mas há uma componente social por trás do salário mínimo que tem de ser levada em conta", considerou.

"A CCP mantém que o Governo impôs este valor, mas o Governo não o impôs. Veio ao encontro de uma sugestão moderada da UGT", indicou.

Segundo o líder da central sindical, "o Governo teve a última palavra e a decisão está tomada". "A ideia agora é discutir um conjunto de matérias para ser alcançado um acordo de médio e longo prazo."

Carlos Silva sublinhou que a CCP lhe transmitiu na reunião que "não quer a imposição de valores fixos dos aumentos que vêm aí" nos próximos anos e informou que ficou decidida a criação de um grupo de trabalho entre a UGT e a CCP, que vai reunir mensalmente para discutir a questão.