O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, defendeu esta quinta-feira que o caminho escolhido pelo Governo é o da produtividade das empresas e não o dos salários baixos.

«Se as empresas forem mais produtivas, se forem melhores, é esse o caminho, não é um caminho de salários baixos. Nunca foi esse o caminho que escolhemos», disse o secretário de Estado, citado pela Lusa, instado a comentar as declarações do empresário Patrick Monteiro de Barros que afirmou ter «vergonha» do valor do salário mínimo pago em Portugal.

Carlos Moedas, que falava à margem de uma conferência organizada pela Caixa Geral de Depósitos, insistiu que o objetivo do Governo é que «a economia consiga criar melhores empregos, com mais valor acrescentado e, portanto, melhores salários».

Durante o seu discurso, o governante fez uma comparação entre as grandes empresas e as Pequenas e Médias Empresas (PME) e considerou que as últimas saem a ganhar em termos de flexibilidade, inovação e capacidade de se adaptarem às «rápidas mudanças».

«Acredito que as PME são essenciais para ter uma economia à prova do futuro», sublinhou, destacando que as dificuldades para a criação e encerramento de empresas não estão associadas ao licenciamento, e sim ao excesso de garantias e procedimentos necessários.

Carlos Moedas salientou ainda que as PME eram «as mais afetadas» pelo modelo económico que assentava em «grandes projetos de investimento» e beneficiava as empresas que operam em setores protegidos.

O secretário de Estado citou várias reformas feitas pelo atual executivo, como a nova lei da concorrência ou o novo código das insolvências, mas lembrou que nem tudo depende do Governo.

«Um dos maiores desafios para as PME é o acesso ao crédito, mas enquanto a Europa não criar uma plena união bancária o sonho do mercado interno europeu estará incompleto e as nossas boas empresas continuarão a sentir mais dificuldades do que as suas congéneres estrangeiras», frisou.