O comissário europeu Carlos Moedas reage ao adiamento da decisão de Bruxelas sobre as eventuais sanções ao défice português, dizendo que isso é “bom para Portugal”, já que assim o Governo terá “mais tempo” para mostrar o seu empenho numa execução orçamental “sem falhas”. É em julho que a Comissão Europeia se pronunciará sobre o défice de 2015, mas as recomendações que fez, como contrapartida, são já para este ano e para o futuro.  

O que pode António Costa e a sua equipa fazer até julho? Carlos Moedas defende que “o essencial” é “continuar a trabalhar na execução do orçamento”.

“Continuar a apresentar as reformas que vão ser feitas no futuro, continuar a mostrar que está num caminho reformista e ao mesmo tempo de uma execução sem falhas do próprio Orçamento de Estado. É muito importante que continue nesse caminho”.

Em declarações aos jornalistas horas após ter participado na reunião do colégio na qual a 'Comissão Juncker' decidiu também propor mais um ano para Portugal corrigir o défice, o comissário português comentou também que “isso é bom para Portugal”, pois não só a Comissão terá mais tempo para proceder a “uma análise mais fina”, como o Governo disporá então, igualmente, de mais tempo para impressionar Bruxelas.

“É sempre bom, mesmo se as decisões (eventuais sanções no quadro da vertente corretiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento) são sobre o passado, que os governos continuem a cumprir e continuem a executar de uma maneira sólida aquilo a que se comprometeram, porque isso dá uma boa imagem e dá um bom ambiente também nas próprias reuniões do colégio. E isso, é muito importante para as decisões, uma vez que elas tomam em conta não só a parte técnica mas também o ambiente político, aquilo que se está a passar nos próprios países”, observou.

Carlos Moedas, que foi responsável no anterior Governo pelas relações com a ‘troika’, durante o programa de assistência financeira, apontou que a sua posição na reunião da Comissão “foi clara”, no sentido de realçar que, desde 2010, “Portugal e Espanha fizeram um esforço brutal e os seus cidadãos tiveram realmente uns sacrifícios muito elevados”, chamando atenção para o facto de em 2010 os respetivos défices superarem os 10% do Produto Interno Bruto.

Ao ter sido adiada para julho uma nova análise à situação dos dois países, “vai ser possível analisar tudo aquilo que foi feito no passado, olhar para todos os anos, mas reconhecer o esforço global e tomar uma decisão política e não apenas cega na sua visão dos números”, defendeu ainda.

“Não podemos olhar apenas para um ano ou dois anos e tomar uma decisão. Obviamente que a decisão tem a ver com o passado, mas tem a ver com olhar para o passado de uma maneira em que vemos todo o esforço que foi feito, e aquilo que estávamos a fazer era realmente uma fotografia. E acho que vamos ter tempo, e eu pedi isso no colégio, de fazer uma análise fina do histórico durante esses anos e ver quais os países que fizeram grandes sacrifícios, e Portugal e Espanha estão na frente”