O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, afirmou esta quarta-feira que não sabe «o que mais poderia ser pedido» a Portugal, referindo-se à omissão dos dados enviados ao FMI sobre as reduções salariais na função pública.

Carlos Moedas disse na comissão parlamentar de acompanhamento às medidas do programa de assistência que «o Governo teve uma posição de força» e que «os ministros estavam alinhados a dizer que Portugal tinha cumprido, daí não estarem a perceber o que mais poderia ser pedido».

«A relação que temos tido com os nossos parceiros internacionais tem sido aberta. O que é interessante, nesse ponto, é que estive presente numa reunião de 27 de junho com o antigo ministro Álvaro Santos Pereira e o atual ministro Pedro Mota Soares, ambos com uma postura agressiva, em que apresentaram todos os dados», disse.

O secretário de Estado respondia a uma pergunta do deputado social-democrata Nuno Reis na comissão parlamentar de acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira sobre o envio de informação por parte do Governo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a evolução dos salários em Portugal.

A 28 de agosto, o Jornal de Negócios noticiou que o relatório da sétima avaliação ao programa de assistência a Portugal do FMI, publicado em junho, contém gráficos para retratar a evolução dos salários em Portugal e defender a importância de mais cortes no setor privado que têm por base dados deturpados.

Segundo o Jornal de Negócios, a base de dados usada, que foi retirada da Segurança Social, não contabiliza milhares de observações que davam conta de um aumento significativo do número de reduções salariais em Portugal tanto em 2009 como no ano passado.