O Comissário Europeu para a Investigação, Inovação e Ciência considera que a Europa tem de começar a apostar em negócios e empresas de «alto-risco» para conseguir «altos-retornos», e assim conseguir crescer.

Em entrevista à TVI24, o comissário português, Carlos Moedas, disse que essa aposta passa exatamente pela inovação, ciência e investigação, áreas que o Plano Juncker tem em vista, para relançar o crescimento europeu.

«O plano de investimento tem como grande objetivo (…) o alto-risco e alto-retorno. [Esse investimento passa] exatamente a inovação, a ciência e a investigação. É esse risco que tomamos para descobrir novas formas para fazer crescer um país»


Carlos Moedas diz que a Europa precisa de uma mudança, e que é preciso perceber o que leva empresários europeus a investirem e criarem grandes empresas em países como os EUA, quando o podiam fazer no velho continente. Moedas diz que é fundamental perceber por que esses investidores estão dispostos a correr riscos «lá fora» e não aqui.

O mesmo acontece com investidores de outras partes do mundo, que deixam de investir na Europa, por considerarem que ainda há reformas de incentivo à economia por fazer. Para combater esta tendência, o Comissário Europeu diz que o Plano Juncker tem já uma medida (fundamental) de incentivo ao investimento na Europa.

«Temos de dar alguma razão [aos investidores] para investir na Europa. [Porque eles] dizem-nos: “não estamos a investir porque a Europa ainda não fez as reformas necessárias”. Mas o Plano Juncker tem uma solução para esse problema, uma ajuda, uma garantia em que quem investe se perder, a primeira “tranche” de dinheiro que perca é a Europa que paga. [É] no fundo, um seguro».


«Penso que essa é a grande solução do Plano Juncker, a que levará empresários e empreendedores a não terem medo de arriscar na Europa. Parece-me [uma medida] muito positiva», acrescentou.

Acima de tudo, Carlos Moedas diz que é preciso uma mudança de «mentalidade», e uma proximidade com o mercado, para que não se deixem fugir ideias valiosas para outros continentes.

«30% do conhecimento do mundo é criado na Europa, e só temos 7% da população, podemos dizer que somos realmente bons nessa criação, mas depois não o conseguimos passar para produtos. (…) [A proximidade] de mercado é a chave para o futuro. A quantidade de empresas que nos fugiram das mãos [é imensa], como a invenção do mp3, [por exemplo], que [acabou por ser concretizada] nos EUA. Eu espero como comissário vir a contribuir para uma mudança verdadeira da mentalidade».


Moedas espera, por isso, que não se repitam erros do passado, quando não se soube «investir bem». O comissário espera, justamente, que não se abandonem as reformas estruturais, «que são a base para que todo» o investimento possa dar resultados.
 

«Tivemos uma fase no nosso país em que investimos, mas não investimos bem. Investimos muitas vezes em setores que não eram produtivos. Estamos hoje na capacidade de voltar a outra fase de investimento, que tem de ser muito diferente do passado. [Terá de ser] produtivo, [e virado] para o conhecimento e inovação. Os erros que não gostaria de ver repetidos era Portugal não continuar na senda das reformas estruturais, que são a base para que todo este investimento possa dar resultado. (…) Porque estamos numa corrida e temos que ser melhores que os outros.»