São páginas inteiras, frente e verso, tapadas a negro. Os documentos chegaram ao Parlamento, a pedido da comissão de inquérito ao Banif, mas deixam pouca margem para apurar todos os detalhes sobre aquilo que aconteceu, sobretudo nos dias do fim do Banco Internacional do Funchal.

O Banco de Portugal garante em comunicado que preferia ter disponibilizado a documentação sem qualquer censura, mas revela que o Banco Central Europeu teve outro entendimento sobre a matéria.

Ata da reunuião do Conselho de Governadores (BCE)

Deputados não conseguem trabalhar 

A denúncia partiu da deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua. Logo no início de uma audição, queixou-se ao presidente da comissão de inquérito, António Filipe, de não conseguir trabalhar com a documentação enviada.

Em causa, estão informações rasuradas que podem ser úteis para apurar o que realmente aconteceu ao Banif e o que foi decidido junto das instituições nacionais e europeias. Através de um requerimento, o Bloco de Esquerda pediu novamente ao Banco de Portugal todos os documentos "sem as rasuras [...] que impossibilitam a leitura de páginas inteiras do documento".

Requerimento do Bloco de Esquerda

Em resposta, Carlos Costa escreveu um comunicado, onde afirma que a proposta que fez foi de "full disclosure" [total transparência] dos documentos em questão, facto que pode ser atestado através da comunicação do BCE dirigida ao Banco de Portugal em resposta ao pedido de autorização para disponibilizar documentos à Comissão de Inquérito.

Em relação à correspondência trocada com a Autoridade Bancária Europeia (EBA), a pedido dessa entidade, apenas tem truncada a identificação dos nomes, emails e contactos dos respetivos membros, encontrando-se o conteúdo inalterado". 

Mas, na verdade, há páginas inteiras rasuradas que os deputados acreditam tapar mais do que dados confidenciais sobre identificação de sujeitos ou entidades.