O primeiro-ministro escreveu a 14 de dezembro uma carta aos presidentes da Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE) pedindo uma reunião para abordar o calendário de venda do Banif. No texto, António Costa sublinhou também que pretendia em Portugal um banco público - Caixa Geral de Depósitos - sólido e robusto e menos bancos privados.

A missiva foi revelada, nesta quarta-feira, pelo PSD na comissão parlamentar de inquérito sobre o Banif, num dia em que foi ouvido - pela terceira vez - o governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa.

Por esta carta fica claro o entendimento do senhor primeiro-ministro no dia 14 de dezembro de que o calendário estava em aberto e politicamente era importante acertar esse calendário", vincou o deputado do PSD Luís Marques Guedes, acrescentando que a missiva terá vindo "tarde de mais", depois da "facada dada pela TVI à viabilidade da venda do banco" em notícias do dia anterior.

No texto, o chefe do Governo pede aos líderes da Comissão Europeia e BCE - Jean-Claude Juncker e Mario Draghi, respetivamente - uma reunião presencial onde seja "definida a estratégia para a intervenção global sobre o sistema financeiro, os calendários da capitalização e dos processos de venda do Novo Banco e do Banif e a situação financeira do Fundo de Resolução" da banca.

A carta, frisou Luís Marques Guedes, não foi enviada pelo Governo à comissão de inquérito sobre o Banif, tendo o PSD "tido acesso" à mesma por outras vias.

O primeiro-ministro sublinha no texto que pretende em Portugal um banco público - Caixa Geral de Depósitos - sólido e robusto e também menos bancos privados, embora também eles mais fortes.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo.

A comissão de inquérito sobre o negócio e o banco caminha para o seu final, tendo a audição de hoje do governador do banco central sido a penúltima - fica a faltar nova presença no Parlamento do ministro das Finanças, Mário Centeno, que ali se deslocará na próxima semana.