O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou esta terça-feira, no Parlamento, que a equipa de gestão do Banif, liderada por Jorge Tomé, falhou nas negociações com a Comissão Europeia sobre o plano de reestruturação do banco.

"Tenho pena que o processo que foi iniciado no segundo semestre de 2015 não se tivesse iniciado no segundo semestre de 2013, porque aí teríamos tido tempo para lidar com a situação", afirmou o responsável pelo regulador, depois de já ter assinalado que "a aprovação do plano de reestruturação era essencial".

Carlos Costa acrescentou que "a flexibilidade registada no segundo semestre de 2015 teria sido bem-vinda se surgisse um pouco mais cedo".

"Não basta dizer que eles são porcos, maus e feios, é preciso dizer: 'eu tenho que chegar a um acordo com eles'", frisou.

O governador respondia às questões colocadas pela deputada Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que pretendia que Carlos Costa dissesse claramente a quem se referia nas suas insinuações, algo que acabou por fazer, ainda que de forma indireta.

"Ao fim de três anos, não foram capazes de aprovar um plano de reestruturação. Outros três bancos [CGD, BCP e Banco BPI] tiveram negociações duras e conseguiram. Portanto, é uma questão de capacidade negocial e de capacidade para eleger prioridades", vincou.

Carlos Costa sublinhou que "o processo de reestruturação é da responsabilidade do conselho de administração" e que "alguém se fixou num modelo e na salvaguarda de um conjunto de interesses e não saiu até ao limite".

O mesmo responsável afirmou diversas vezes que a relação de forças na negociação entre Bruxelas e a administração do Banif era desigual, defendendo que a administração do banco devia ter feito mais cedências de forma a receber "luz verde" de Bruxelas ao seu plano de reestruturação, algo que nunca aconteceu.

"A DG Comp [Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia] é sempre uma entidade que entra num processo negocial com uma posição de força. Aceitando e entendendo a lógica da outra parte, é necessário encontrar uma base de entendimento", frisou.

Carlos Costa destacou que "a responsabilidade é sempre de todos os que têm que concluir uma negociação e que estão numa posição de desvantagem. É a única forma de minimizar os riscos".

"Tenho que saber em que momento é que abandono o braço de ferro", afirmou.