Portugal poderá sair de uma situação de défice excessivo este ano, ou seja, o défice público poderá descer para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) ou ser mesmo inferior a este patamar, segundo o Boletim Económico de Outubro publicado pelo Banco de Portugal esta quarta-feira.

Recorde-se que o défice público português relativo a 2014 foi recentemente revisto em alta para 7,2% do PIB, dado ter sido penalizado pela injeção de 4.900 milhões de euros (ME) de fundos públicos na capitalização do Novo Banco.

O Governo tem realçado que Portugal sairá do Procedimento de Défices Excessivo (PDE) em 2015, reiterando a meta de um défice público de 2,7% do PIB para o corrente ano.

O regulador acredita que é possível, mas alerta para alguns riscos.

"A evidência disponível sugere que o encerramento do PDE em 2015 é exequível". No entanto, para que seja este o cenário têm de se manter as "tendências de evolução subjacentes à execução do primeiro semestre e, em particular, as medidas de política orçamental atualmente em vigor".


O BP alertou para a "necessidade de cumprir os compromissos das autoridades nacionais no ambito das regras orçamentais europeias", alertando que "o actual nível de dívida pública em percentagem do PIB constitui uma vulnerabilidade latente da economia portuguesa".

"As estimativas do Banco de Portugal apontam para que uma parte significativa da redução do défice orçamental prevista para 2015 decorra de uma recuperação da atividade económica, em particular ao que se refere ao consumo privado e à massa salarial", adiantou.

 

Previsões de crescimento mantêm-se


No mesmo boletim, o BdP manteve a previsão que o PIB português crescerá 1,7% em 2015 - "valor ligeiramente superior ao projetado para a área do euro" - face aos 0,9% de 2014.

O banco central salienta que "o enquadramento externo apresenta riscos descendentes e elevada incerteza", recordando a "fragilidades nos determinantes do crescimento da economia global, e a gestão de expectativas e credibilidade das autoridades monetárias" para conseguirem atingir as metas de inflação.

E adiantou que outro desafio para a economia portuguesa é a "diminuição da população e da população ativa em Portugal".

"A melhoria na afetação de recursos ainda exige aprofundamento. A queda profunda do investimento empresarial constitui uma potencial restrição ao dinamismo da actividade".


O banco central reconhece que tem havido uma "melhoria na afectação de recursos empregues na economia", lembrando o crescimento real das exportações e do seu peso no PIB.