O Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, garantiu, esta terça-feira na Comissão de Inquérito ao Banif, que a auditoria forense feita ao banco em 2014 não encontrou indícios de práticas de crimes, tendo originado, no entanto, processos de contraordenação.

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Carlos Costa foi questionado sobre esta auditoria pelo deputado do PSD, Marques Guedes, que quis saber se existiram queixas no Ministério Público, uma vez que “a documentação mostra que foram detetadas irregularidades sérias”.

Deu lugar a processos, trouxe elementos para integrar num processo de avaliação ou reavaliação de idoneidade, e não deu lugar a comunicação ao Ministério Público porque até este momento não detetámos situações que configurem crime. São irregularidades do ponto de vista prudencial, configuram sanções, e os processos estão em curso, tal como foram já finalizados outros e já foram aplicadas outras sanções que têm uma dimensão institucional e que têm uma dimensão subjetiva porque há pessoas que são responsáveis por essas irregularidades."

“Está tudo a andar, e alguns processos já foram fechados”, acrescentou o Governador do BdP.

A auditoria em questão - elaborada pela Deloitte - falava em irregularidades nas operações feitas entre empresas ligadas ao Banif.

Marques Guedes questionou, também, o Governador sobre se existiram retiradas de capitais ou venda de obrigações sénior do banco por parte dos membros da administração do Banif nos meses que antecederam a resolução. Carlos Costa disse não estar em condições para responder.

É uma questão que não sou capaz de responder, mas que teremos que averiguar.”

O deputado do PSD perguntou, ainda, a Carlos Costa sobre se a notícia avançada pela TVI, que dava conta da eventual resolução do banco criou “desconfiança” nos clientes do banco, tendo originado uma fuga de depósitos.

O Governador do Banco de Portugal não tem dúvidas que a notícia avançada a 13 de dezembro teve um impacto em todo o processo.

Sim [teve influência] porque criou um sentimento de insegurança nos depositantes. Mau grado a oportuna intervenção do acionista, tornando claro que não havia qualquer intenção de avançar com aquele tipo de operação, e mau grado a injeção de liquidez para mostrar aos clientes que podiam estar tranquilos (…) e que o dinheiro estava lá”.

Durante a sua intervenção inicial, Carlos Costa já tinha avançado que mesmo após esta a injeção de liquidez "continuaram a verificar-se saídas significativas de depósitos, quase 300 milhões de euros, entre os dias 21 e 23 de dezembro, a maior parte de empresas e instituições."

Carlos Costa teve uma intervenção inicial de cerca de 75 minutos na comissão de inquérito e pelas 16:30 começou a responder às perguntas dos vários deputados, numa audição que se prevê longa e é tida como uma das mais importantes para os trabalhos dos parlamentares.