Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, considerou, esta sexta-feira, que «não é nenhuma praga celestial, nem nenhuma praga do Egito, que nos obriga a ter periodicamente um programa de ajustamento. É o facto de nós termos crenças e leituras que não são adequadas à realidade».

As declarações aconteceram numa reunião do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNSF) com as Comissões de Acompanhamento do Plano Nacional de Formação Financeira, em Lisboa.

Para ilustrar o que afirmava, o governador estabeleceu um paralelismo entre a situação do país e a realidade de um qualquer cidadão envolvido num problema de endividamento excessivo.

«É a mesma coisa que acontece a um sobre endividado. Tal pode acontecer por um azar do destino, como uma doença, mas a maior parte dos casos é resultante de não ser capaz de entender aquilo a que os economista chamam a consciência intemporal, ou seja, aquilo que se passa hoje tem efeitos amanhã», sublinhou.

E reforçou: "O prazer que tenho hoje não é desprovido do sacrifício de amanhã".

Na ocasião em que foram apresentados o relatório de atividades do plano de formação financeira em 2013 e as iniciativas previstas para 2014, Carlos Costa vincou que «não há estabilidade do sistema financeiro - que é o grande objetivo do CNSF - sem literacia financeira».

Carlos Costa realçou que «a única forma de garantir a estabilidade do sistema financeiro é, basicamente, o comportamento responsável por parte de quem consome produtos financeiros e a limitação que isso coloca a quem vende estes produtos».

«A única restrição que existe a esta tentação dos dois lados, uns de comprar e outros de vender, é sermos (as autoridades de supervisão) os maus da fita e colocarmos limites à tentação a uns e outros», continuou, concluindo que «o ideal é a autolimitação que resulta da educação financeira».