O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), João Machado, elogiou esta segunda-feira o conhecimento e a capacidade técnica do novo ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, considerando que a relação entre as partes tem tudo para correr bem.

"Sendo o ministro da Agricultura uma pessoa que conhece muito bem o setor e que, em primeiro lugar já foi ministro, e que em segundo lugar participou ativamente na PAC, sendo o relator dos dois principais relatórios desta política [enquanto deputado europeu], está muito por dentro dos problemas, é uma pessoa com quem estamos habituados a falar e cuja linguagem é a mesma", disse aos jornalistas João Machado no final de uma reunião com Capoulas Santos, no Ministério da Agricultura, em Lisboa.


E reforçou: "Falamos a mesma linguagem e os assuntos são rapidamente compreendidos entre as partes".

Daí, João Machado ter considerado que "correu muito bem" o encontro de hoje com o ministro, no qual foram percorridos "muitos pontos da agenda que preocupa os agricultores".

O líder da CAP salientou que Capoulas Santos "está atento aos problemas que tem vindo a encontrar aqui no ministério e muito preocupado em resolver os problemas" que lhe foram colocados, nomeadamente, na questão das candidaturas e dos pagamentos atempados.

"Tivemos ocasião de delinear algumas estratégias para o futuro no sentido de tentarmos que aquilo que é fundamental para os agricultores, que é poderem candidatar-se e poderem ver os seus projetos aprovados e terem o investimento despachado a tempo e horas para poderem contribuir dessa maneira para o desenvolvimento do país e para a criação de emprego e para as exportações".


O ministro da Agricultura manifestou hoje a sua preocupação com o baixo grau de execução do novo quadro comunitário, que em setembro se fixava nos 9%, destacando que o país "não se pode dar ao luxo" de desperdiçar estes fundos.

Segundo João Machado, "o ano que está agora a terminar foi o ano da implementação desta Política Agrícola Comum (PAC), pelo que decorreu um período de tempo onde houve um conjunto de candidaturas que entraram que levaram a que houvesse agora um conjunto enorme de candidaturas para serem apreciadas".

O responsável considerou que "há que dar resposta a isso e o senhor ministro é muito sensível a essa matéria", tendo avançado aos representantes da CAP o conjunto de ações que iria tomar nesse sentido, que os deixaram "muito mais descansados".

Quanto às declarações que o presidente da CAP proferiu no final do encontro com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, antes de ter dado posso ao novo executivo liderado por António Costa, há cerca de um mês, na qual João Machado defendeu um governo de gestão e a convocação de novas eleições, o responsável considerou que o tema já está ultrapassado.

"As declarações que fizemos tinham um enquadramento. O Presidente da República chamou-nos lá para dar a nossa opinião e nós demos a nossa opinião e quisemos torná-la pública para que fosse clara. Quem decide é o Presidente da República e, uma vez tomada a decisão e tendo este Governo passado no parlamento, essa questão deixou de fazer sentido", frisou.


"Agora, há um novo primeiro-ministro e um novo ministro da Agricultura e é com esse que nós trabalhamos. E é com esse que nós tentaremos sempre criar entendimentos", assegurou João Machado.

"Ser o Dr. Capoulas Santos o ministro da Agricultura facilita muito, porque conhecemo-lo muito bem, sabemos muito bem da sua capacidade técnica e da capacidade da sua equipa, e por isso não há nenhuma dificuldade de entendimento e grande parte dos dossiês que estamos agora a tratar a nível nacional têm a ver com dossiês que tratamos antes a nível comunitário", assinalou.

E concluiu: "Facilita muito ser quem é e o entendimento que temos com ele é o melhor. Nessa matéria, não temos dúvida nenhuma de que vai correr bem".