O secretário-geral da Federação do Setor Financeiro (Febase), Aníbal Ribeiro, pediu esta segunda-feira uma reunião à administração do Novo Banco para obter mais esclarecimentos sobre o que se vai passar na nova instituição e acalmar os trabalhadores do banco.

Em declarações à Lusa a propósito da criação do Novo Banco, o secretário-geral da Febase, Aníbal Ribeiro esclareceu que a reunião visa «pedir mais esclarecimentos e expressar a opinião» ao administrador do Novo Banco, Vítor Bento.

No entender de Aníbal Ribeiro, é preciso «acalmar as hostes no banco, nomeadamente dos trabalhadores», pelo que é necessário conhecer mais pormenores sobre uma situação «que é uma opção nova».

Para já, o responsável considera que a solução encontrada com o Novo Banco «foi a melhor» face aos problemas do Banco Espírito Santo (BES).

«O BES é um banco que tem um nível de impacto na economia nacional, que tem um peso muito grande e por isso acho que foi uma boa solução. Esperemos agora que efetivamente venha a dar resultados positivos e que tal como prometido os trabalhadores não venham a ser afetados porque não foram eles os causadores da crise», concluiu.

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim-de-semana com o Banco de Portugal a criar o Novo Banco, que fica com os ativos bons e recebe 4.900 milhões de euros, e a colocar os tóxicos num «bad bank».

O capital é injetado no Novo Banco através do Fundo de Resolução bancário, criado em 2012, para ajudar a banca a resolver os seus problemas. Como este fundo é recente e só tem 380 milhões de euros, a solução encontrada passa por ir buscar o valor restante ao dinheiro da troika destinado ao setor financeiro - estão disponíveis 6,4 mil milhões de euros ¿ e cerca de 100 milhões poderão vir ainda de uma contribuição extraordinária dos outros bancos do sistema.

Já os ativos problemáticos do BES, caso das dívidas do Grupo Espírito Santo e a participação maioritária no BES Angola, ficam no chamado «banco mau». Este terá uma administração própria, liderada por Luís Máximo dos Santos, segundo o jornal Expresso, e não terá licença bancária.

Após o anúncio desta solução, o Governo, através do Ministério das Finanças, afirmou que os contribuintes não terão de suportar os custos relacionados com o financiamento do BES e a Comissão Europeia anunciou que aprova solução, que está em linha com as regras de ajuda da União Europeia.

O Novo Banco será liderado por Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado à frente do mês e a quem coube dar a conhecer prejuízos históricos de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre.