O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) afirmou esta sexta-feira temer que o atraso na formação de governo impossibilite que haja novo Orçamento do Estado em janeiro, pondo em causa a comparticipação nacional do investimento comunitário na agricultura.

"Transmitimos à coligação (Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) a nossa preocupação em não termos Orçamento em janeiro do ano que vem e podermos não vir a ter dinheiro para financiar a comparticipação nacional nos investimentos na agricultura", afirmou João Machado aos jornalistas.


À saída de uma reunião com uma delegação do PSD e do CDS-PP, liderada por Paulo Portas e Marco António Costa, João Machado manifestou também "apreensão" com a formação de um governo esquerda integrado pelo PCP, recusando uma "nova reforma agrária".

"Nós sabemos muito bem o que é o PCP sempre defendeu. Estamos a assinalar o 25 de novembro de há 40 anos atrás que foi exatamente a coletivização das explorações agrícolas e dos agrícolas. Nós não defendemos uma nova reforma agrária e um retrocesso neste processo e o que nos parece é que o PCP a ter influência nessa matéria iria ter essa tendência, portanto, vemos com alguma apreensão", defendeu João Machado.


Por outro lado, o presidente da CAP afirmou que os partidos de esquerda não se apresentaram ao eleitorado no pressuposto de uma formação de governo, ao contrário da coligação PSD/CDS-PP e que foi a mais votada.

Segundo João Machado, os eleitores ao não terem dado maioria absoluta à coligação manifestaram que PSD e CDS deviam governar mas fazendo cedências.

À saída do encontro, que foi pedido pelo PSD e o CDS-PP, o líder centrista e vice-primeiro-ministro em exercício, Paulo Portas, afirmou que a CAP é "um dos parceiros sociais com mais história democrática e participação cívica nestes 41 anos de democracia".

"Foi muito importante para que a liberdade em Portugal em momentos decisivos prevalecesse", declarou.