Os planos dos passageiros da Ryanair para viajarem neste Natal podem vir a ser alterados, depois de  grupo de pilotos da companhia aérea irlandesa ter anunciado esta terça-feira que convocou uma greve para os dias anteriores à quadra festiva. Em causa está a luta pelo reconhecimento dos seus representantes sindicais e por melhores condições de trabalho. 

De acordo com a BBC, a paralisação foi programada pela Associação de Pilotos Irlandeses de Companhias Aéreas (IALPA) e implica 28% do total de pilotos “contratados diretamente” pela Ryanair na sua base de operações de Dublin, na Irlanda, segundo a companhia aérea. Dos 84 membros do sindicato, que pertencem à companhia low cost, 79 manifestaram-se a favor da paralisação por melhores pagamento e pelo reconhecimento dos seus representantes sindicais.

A greve dos irlandeses está prevista para 20 de dezembro. Já os pilotos e restante pessoal de bordo da Ryanair em Itália anunciaram a intenção de levar a cabo uma greve de quatro horas já na sexta-feira e o sindicato dos pilotos alemães Vereinigung Cockpit anunciou que uma greve na Ryanair “é esperada a qualquer momento”. O poderoso sindicato de pilotos da Alemanha explicou que os seus afiliados da companhia "low cost" farão greve para reclamar melhores salários e condições de trabalho, apesar de insistirem que não vão atrapalhar os voos no período do Natal.

Em Portugal, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil já indicou que os seus membros da Ryanair também votaram a favor de uma ação coletiva, incluindo a possibilidade de convocação de greve.

Os pilotos querem o reconhecimento de uma instância única de representação do pessoal no plano europeu, o que tem sido recusado pela administração da Ryanair.

O conflito tem como único objetivo a criação de uma instância de representação dos pilotos da empresa. O modelo de negociação da administração está esgotado", afirmou Ashley Connolly, dirigente do sindicato irlandês.

A Ryanair, que já cancelou 20 mil voos marcados entre setembro de 2017 e março de 2018 devido à falta de pilotos, disse não ter sido notificada da greve. A companhia aérea afirmou esta terça-feira, em comunicado, que a direção tentará fazer frente aos possíveis cancelamentos de voos e criticou a medida tomada por este grupo de trabalhadores nos dias que antecedem o Natal.

A Ryanair acredita que os possíveis cancelamentos serão provocados por um número pequeno de pilotos que já apresentaram a solicitação de rescisão de contrato ou que prevêem deixar a companhia em breve, razão pela qual pouco lhes importa os incómodos que causem aos seus companheiros e aos passageiros”, indicou a companhia aérea no comunicado. "A Ryanair vai lidar com essas interrupções, quando e se necessário, e pedimos desculpas sinceras aos passageiros pelo transtorno que esta ação pode vir a trazer", referiu ainda a companhia.

A companhia aérea ofereceu uma melhoria das condições de trabalho aos pilotos, depois que erros na distribuição das férias e a saída de alguns profissionais para outras companhias a terem obrigado a anunciar em setembro passado o cancelamento de mais de 20 mil voos. 

A 6 de outubro, a Ryanair ofereceu aos pilotos aumentos salariais e melhorias nas condições de trabalho, superiores, conforme disse, às das concorrência, para os estimular a ficar na empresa, embora tenha advertido que qualquer negociação se desenvolveria com os órgãos de representação aprovados pela companhia aérea.

A Ryanair, presidida por Michael O'Leary, é a companhia aérea número um na Europa em número de passageiros transportados, com 131 milhões por ano, de acordo com os dados que a própria empresa divulgou.

Apesar das dificuldades, a companhia aérea manteve a expetativa de lucro líquido anual para 2017, que é de entre 1,4 e 1,45 mil milhões de euros.