O economista Luís Campos e Cunha defende que a haver alguma alteração de impostos nos próximos anos, a mesma só poderá ser simbólica em virtude de a consolidação orçamental não ter sido feita pelo lado da despesa pública.

«Ainda não estamos bem e ainda é fácil perdermos tudo»

«Pode haver alguma coisa de simbólico e a aproximação das eleições também incentiva isso, mas exatamente porque não se fez uma consolidação pelo lado da despesa, mas fundamentalmente pelo lado da receita, significa que qualquer alteração de impostos tem de ser simbólica para o próximo ano e para os próximos anos», defende o professor universitário em entrevista à agência Lusa.

Ainda assim, Campos e Cunha reconhece que «há um reconhecimento generalizado de que este nível de tributação é demasiadamente elevado e que se houver espaço para alguma redução de impostos, nomeadamente sobre a classe média, penso que seria certamente bem-vinda».

O economista lembra que há um acordo plurianual e pluripartidário para descer a taxa geral do Imposto sobre o Rendimento das pessoas Coletivas (IRC) para 21% em 2015 depois de ter descido dos 25% para 23% este ano.

Um acordo que Campos e Cunha avalia como «muito positivo», uma vez que «dá previsibilidade a uma variável relevante para o investimento».

«Nesse sentido é uma boa ideia, devia ser generalizado a outros impostos, nomeadamente ao Imposto sobre o Rendimento das pessoas Singulares», conclui o economista.

O Governo tem até ao dia 15 de outubro para apresentar na Assembleia da República a sua proposta de Orçamento do Estado para 2015.