O presidente da câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, disse ter "expectativa" de ver reduzido este ano o passivo desta autarquia em 35 milhões de euros, um valor conseguido através de "poupanças e renegociações".

"Posso encarar o próximo ano com grande agressividade no bom sentido", disse Eduardo Vítor Rodrigues, que falava aos jornalistas à margem de uma reunião de câmara quando explicava como conseguiu ficar "livre" do Fundo de Apoio Municipal (FAM).

Na quinta-feira, a câmara de Gaia divulgou, em comunicado, que "deixou de estar enquadrada nos pressupostos" financeiros que obrigavam à entrada no FAM, apontando que depois de ver a autarquia terminar 2013 com uma dívida de 252,6 milhões de euros, o executivo socialista conseguiu agora evitar o saneamento financeiro por ter apresentado, no final de 2014, uma "dívida total que se situa abaixo dos 225%" relativamente a exercícios anteriores, ou seja, do valor limite estipulado obrigatório.

Na sessão desta tarde também foi discutido o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), que terá de ser entregue até 30 de setembro, um documento que contém, segundo Vítor Rodrigues, a "estratégia do município até 2020" com projetos, alguns deles supramunicipais que totalizam cerca de 200 milhões de euros.

A este propósito, o vereador do PSD, Firmino Pereira, que é oposição à liderança socialista, apresentou várias propostas a incluir no PEDU de Gaia, nomeadamente a construção de uma ponte pedonal entre este concelho e o Porto ou o alargamento do atual parque da cidade, bem como a conclusão da VL5 (Serzedelo/Arcozelo) para melhorar o acesso às zonas industriais e um plano de revitalização do Monte da Virgem.

Mas sobre algumas destas propostas, o executivo socialista explicou tratarem-se de projetos que não se adequam ao regulamento que rege o PEDU, recusando a ideia passada pelos sociais-democratas de que o documento compilado pelo PS carece de "ambição".

Já a sugestão de construção do Museu Fernão Magalhães por ser, conforme se lê no documento de sugestões do PSD, "o primeiro globalizador que teve raízes na sua vida em Vila Nova de Gaia, foi considerada pelo PS como "pertinente".

Sobre este tema, à margem da sessão, Eduardo Vítor Rodrigues destacou o projeto do Portinho da Aguda, cujo custo previsto é de cinco milhões de euros, traduzindo-se na construção de uma zona protegida e prolongamento do atual paredão também com vista ao realinhamento das areias.

"Queremos dar um impulso à Aguda", disse Vítor Rodrigues, garantindo ter o aval da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) até porque esta, contou o autarca, "gasta 150 mil euros todos os anos para arranjar as areias".

O projeto inclui um centro de pescas, bem como de investigação sobre esta área e a valorização da área habitacional da zona e o presidente da câmara de Gaia apontou "já ter contratualizado com proprietários e investidores" e um deles terá demonstrado vontade em construir ali uma unidade hoteleira de média dimensão para um público médio/alto.