O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV) convocou uma greve de uma hora nos centros de atendimento telefónico ('call centers') da PT contra os despedimentos que estão a acontecer, disse à Lusa fonte sindical.

«Nos últimos dois meses temos vindo a notar que a PT tem vindo a dispensar umas centenas de trabalhadores dos 'call centers'», afirmou o dirigente sindical do SINTTAV António Caetano, adiantando que estas medidas «não podem ser apenas pequenos ajustes, como diz a empresa».

António Caetano lembrou que recentemente o centro de atendimento da operadora brasileira Oi em Lisboa dispensou 170 trabalhadores.

«Julgo que os ajustes não podem comportar duas a três centenas de despedimentos», afirmou, apontando que, segundo as contas do sindicato, "mais de duas centenas de pessoas foram despedidas" dos centros de atendimento nos últimos tempos.

Como forma de protesto, o SINTTAV convocou uma paralisação de uma hora, entre as 10:00 e as 11:00, no dia 03 de fevereiro, nas empresas de 'call centers' que prestam serviços à PT (PT ACS, PT Comunicações/Meo, PT Contact, PT Inovação, PT PRO, PT Sales, PT SGPS e PT SI).

Apesar dos trabalhadores terem vínculo às empresas de trabalho temporário, e não diretamente à PT, o sindicalista considera que a operadora não está a cumprir o acordo de responsabilidade social.

Além disso, «os trabalhadores são dispensados e entram logo outros em formação para substituí-los», disse, adiantando que a própria PT não dá informação sobre o que se passa ao sindicato.

Por outro lado, esta paralisação visa também a luta pela «harmonização salarial», já que existem trabalhadores com diferentes remunerações, apesar de desempenharem as mesmas funções.

«O mais grave é que estas empresas não querem diálogo social, este é um ato simbólico em solidariedade para com aqueles que estão a ser dispensados», salientou António Caetano.

A PT tem de dar «uma explicação válida sobre o que está a levar à dispensa dos trabalhadores. Estamos abertos a que a PT dê um sinal claro de que se preocupa com a situação e que nos quer ouvir», apontou.

António Caetano acusou ainda a PT de «impor objetivos inatingíveis nas vendas num determinado mês, o que leva a que muitos funcionários tenham de trabalhar nos seus dias de folga», sob pena de serem despedidos se não cumprirem as metas.

A venda da PT Portugal, que tem os serviços Meo, Sapo, entre outros, aos franceses da Altice, por 7.400 milhões de euros, foi aprovada por 97,81% dos acionistas presentes na assembleia-geral da PT SGPS, que decorreu na quinta-feira.