O cofundador da Altice, Armando Pereira, afirmou hoje, em Vieira do Minho, que o Governo português "muitas vezes não vê a importância" do investimento daquele grupo francês em Portugal.

À margem da inauguração do segundo call center (centro de contacto) da Altice em Vieira do Minho, Armando Pereira garantiu que o investimento em Portugal vai continuar, mesmo que por vezes pareça que "não gostam" do grupo que comprou a PT Portugal.

A Altice investe em Portugal de uma maneira muito importante. Na semana passada aconteceu uma coisa importante aqui em Portugal, mas penso que, muitas vezes, o Governo português não vê essa importância", criticou.

Em 14 de julho, o grupo Altice anunciou que chegou a acordo com a Prisa para a compra, por 440 milhões de euros, da Media Capital SGPS, SA, que detém a TVI.

Alguns partidos já pediram ao Governo português para travar o negócio.

Armando Pereira disse não entender esta oposição ao negócio, mas garantiu que o grupo Altice vai continuar a investir em Portugal.

Mesmo se às vezes nos dizem ‘para que vêm para aqui, eles não nos querem, penso que não gostam de nós', vamos continuar", assegurou.

Natural de Guilhofrei, Vieira do Minho, Armando Pereira vincou que vai continuar a investir na sua terra e no seu país.

Nós não fazemos política, nós somos industriais", lembrou.

O segundo call center da Altice, agora inaugurado, deverá criar cerca de 300 postos de trabalho, tendo hoje arrancado com meia centena.

No primeiro, que abriu em maio de 2015, já trabalham 110 pessoas.

A Altice já tem 12 call centers em Portugal.

Governo português "não facilita as coisas" ao grupo francês

O cofundador da Altice Armando Pereira afirmou ainda que "não deve haver muitos problemas" para a concretização do negócio da compra da Media Capital SGPS, SA, que detém a TVI.

"Há ainda atores que vão intervir nessa decisão, mas não deve haver muitos problemas", referiu aos jornalistas.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) tem de se pronunciar sobre a operação, sendo o seu parecer vinculativo. O parecer final sobre o negócio caberá à Autoridade da Concorrência.

Apesar de se manifestar confiante na concretização do negócio sem muitos problemas, Armando Pereira admitiu que o Governo português "não facilita as coisas" ao grupo francês.

Em 12 de julho, durante o debate do estado da Nação, no parlamento, o primeiro-ministro, António Costa, manifestou-se apreensivo com o futuro da PT, agora propriedade da multinacional Altice, temendo mesmo pelo futuro de postos de trabalho e apontando a uma das operadoras "falhas graves" no incêndio de Pedrógão Grande.

Receio bastante que a forma irresponsável como foi feita aquela privatização possa dar origem a um novo caso Cimpor, com um novo desmembramento que ponha não só em causa os postos de trabalho, como o futuro da empresa", declarou o primeiro-ministro.