Numa altura em que muito se fala de comissões bancárias, é já hoje que entra em vigor o novo preçário da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Escapar ao pagamento de uma comissão de manutenção será uma missão quase impossível. De fora dos aumentos ficam os reformados com mais de 65 anos que recebam uma pensão até 835,50 euros e as contas com um único titular até 25 anos.

Segundo os cálculos da Deco, os restantes clientes serão obrigados a pagar 61,80 euros por ano, mesmo que domiciliem o ordenado ou a pensão. “Só serão poupados se usarem os cartões de crédito e débito pelo menos uma vez a cada três meses. Mas pagarão as anuidades e os custos dos restantes produtos contratados, como cartões de débito (18,72 euros) e as transferências interbancárias online (0,52 euros por operação)."

Contas S, M e L entre 31 e 112 euros por ano

As alternativas propostas pela Caixa Geral de Depósitos são as novas contas-pacote S, M e L, todas com custos.

A Deco foi fazer as contas e considera todas as opções: na mais económica, a conta S, o cliente suporta 49,92 euros para ter acesso a um cartão de débito e apenas 2 transferências interbancárias online por mês. Caso tenha o ordenado domiciliado ou um património financeiro igual ou superior a 5 mil euros, o custo baixa para € 31,20 anuais. No outro extremo, a conta L "oferece" as anuidades de dois cartões de débito e dois de crédito, transferências interbancárias online ilimitadas e seguros de acidentes pessoais e de assistência ao lar. Tudo em troca de um valor que pode chegar aos 112,32 euros por ano, se não domiciliar o ordenado ou pensão ou tiver um património inferior a 5 mil euros.

A solução intermédia - conta M - difere da L porque limita as transferências a 3 operações por mês e não inclui o seguro de assistência ao lar. Custa entre 4,16 e 6,24 euros mensais.

A associação de defesa do consumidor deixa ainda o alerta para o fato de na maioria das contas-pacote “o cliente paga por produtos e serviços desnecessários”. Por isso, “antes de aderir, confirme se precisa mesmo dos produtos propostos, como os seguros ou os cartões de crédito”, avisa a Deco.

Soluções mais em conta ou a custo zero

Se tem uma simples conta bancária na CGD, sem domiciliação de ordenado ou pensão, e um cartão de débito, a associação aconselha ainda a que procure no mercado uma solução de conta, isenta de custos de manutenção e sem anuidade.

Se tiver, por exemplo, menos de 65 anos, receber uma pensão de invalidez e não tiver outros produtos associados à conta, há outras soluções, diz ainda a Deco.

Que sugere, se for titular apenas desta conta bancária, outra alternativa é pedir a transferência para a conta de serviços mínimos da CGD, que é gratuita.

Quem recebe o ordenado na conta, tem um crédito à habitação e um cartão de débito deve analisar bem o caso.

A moda das comissões bancárias

A Caixa Geral de Depósitos foi o último banco a atualizar preçário, o que gerou contestação não só por parte da Deco, por ser o banco onde mais pensionistas recebem a sua pensão e por se tratar de um banco público. O novo preçário da CGD não escapou também às críticas da oposição, mesma a esquerda parlamentar que apoia o Governo.

O presidente da Caixa, Paulo Macedo, disse em maio que existiam 700 mil contas no banco que não pagam qualquer comissão.

O fato é que a prática das comissões passou a ser comum desde que os bancos começaram a cobrar todos os serviços e, mais alguns que prestam, como forma de angariar mais receitas face ao decréscimo das receitas da sua atividade central – guardar e emprestar dinheiro.

Em pleno verão foram vários os bancos que aproveitaram para mudar ou planear mudanças nos preçários/ ou tetos de clientes abrangidos por comissões.

Por isso esteja, atento para não pagar o que não deve e lembre-se que, a partir de agora – por diploma publicado em Diário da República -  os bancos estão obrigada o apresentar-lhe o extrato de todas as comissões que lhe cobram em janeiro.