A Caixa Geral de Depósitos já pôs de lado dois milhões de euros para indemnizar os antigos administradores da equipa de António Domingues que foram dispensados antes do final do mandato. No entanto, quatro meses e meio depois de Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques terem sido destituídos, as compensações financeiras continuam por pagar, noticia o Negócios.

Estes dois gestores foram afastados da administração da CGD a 31 de Janeiro, uma vez que não foram integrados na equipa de Paulo Macedo, ao contrário do que aconteceu com outro gestor executivo do anterior conselho, João Tudela Martins. Como tinham sido nomeados para um mandato que apenas terminava no final de 2019, mas acabaram por ser afastados sem justa causa, por lei estes gestores têm direito a receber os salários vincendos. O Código das Sociedades Comerciais prevê que em caso de destituição sem justa causa os gestores tenham direito à remuneração que aufeririam se cumprissem o seu mandato.

Devido a esta imposição legal, a Caixa constituiu uma provisão de cerca de dois milhões de euros para fazer face à necessidade de compensar Pedro Leitão e Tiago Ravara Marques. É que quando as contas de 2016 foram fechadas, processo concluído já pela equipa de Paulo Macedo, os dois gestores já tinham sido afastados. Ou seja, a probabilidade de o banco do Estado vir a ter este custo já era suficientemente forte para a CGD contabilizar logo este encargo.

Tendo em conta que os administradores executivos da CGD têm uma remuneração anual bruta de 337 mil euros e que, de acordo com o mandato para que foram nomeados, Leitão e Ravara Marques ainda tinham direito a quase três anos completos de remuneração, cada um destes antigos gestores tem direito a uma compensação de cerca de um milhão de euros.