A Caixa Geral de Depósitos pode deixar a operação em Espanha no âmbito do acordo de princípio assinado entre o Governo e Bruxelas, esta quarta-feira, e que prevê, além da recapitalização, um plano de racionalização das contas do banco.

O cenário tinha sido deixado em aberto pelo ministro das Finanças a 22 de junho. Na ocasião, Mário Centeno afirmou que o redimensionamento do banco público passava também pela área internacional, com foco futuro a passar pela África e pelos os países de língua oficial portuguesa. 

Esta sexta-feira o espanhol Cinco Dias noticia que a CGD, “previsivelmente, será obrigada a desfazer-se da sua filial espanhola” em virtude do acordo firmado com Bruxelas.

Em Espanha a CGD conta com um negócio de mais de 5 mil milhões em ativos e quase 3 mil milhões de depósitos refere o jornal espanhol que cita dados de maio da associação espanhola de banca (AEB). Atualmente o banco público português conta com uma rede de 103 sucursais espalhadas pelas 22 províncias, com especial presença em Cáceres, Pontevedra e Madrid.

O Cinco Dias refere ainda que os sindicatos espanhóis já solicitaram informação sobre o tema à administração do banco. Os representantes dos trabalhadores temem o pior cenário, embora haja esperança que seja possível que sobrevivam as sucursais em regiões fronteiriças com Portugal.

Um dos fatores que abona em prol de uma eventual venda por parte da casa-mãe é o fato da operação espanhola ser positiva – cerca de 10 milhões no final do primeiro semestre – num momento de grande debilidade para a atividade bancária em geral.

A filial espanhola da CGD passou por um processo de ajustamento, entre 2013 e 2014, que levou a um corte para metade dos números de colaboradores e uma redução a quase um terço dos balcões.

No início deste ano, o presidente executivo José de Matos – que deixa a 31 de agosto a pasta para António Domigues – disse que “a situação de Espanha” estava “completamente ultrapassada e resolvida".

Mas, apesar disso, mais recentemente, assumiu que “a Caixa provavelmente não tem dimensão para ser um banco global”.

"Pessoalmente, acho melhor regressar à base e ter os pés bem assentes na terra. É um erro pensar que a atividade internacional da Caixa é muito relevante", defendeu ainda José de Matos. E acrescentou poderia ser melhor para o banco público ter uma presença doméstica forte, com uma presença internacional contida. As operações da Caixa no exterior representam 20% dos resultados do banco.