A ex-ministra Leonor Beleza mostrou-se hoje surpreendida com o veto do Banco Central Europeu (BCE) ao seu nome para futura administradora não executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e reiterou que o cargo seria não remunerado.

Fui surpreendida hoje pelas notícias veiculadas pela comunicação social sobre o processo de apreciação da minha possível nomeação como administradora não executiva da Caixa Geral de Depósitos", afirmou a atual presidente da Fundação Champalimaud, questionada pela agência Lusa.

O BCE aprovou os 11 nomes propostos pelo Governo para o Conselho de Administração da CGD, mas rejeitou outros oito, entre os quais o de Leonor Beleza, por excederem o limite de cargos em órgãos sociais de outras sociedades, confirmou na quarta-feira o Ministério das Finanças.

Disponibilizei-me para fazer um esforço suplementar de trabalho e colaborar com uma equipa independente na condução de uma instituição vital para o país, tendo tornado claríssimo desde o princípio deste processo, para mim em abril passado, que não aceitaria receber por isso qualquer remuneração", disse Leonor Beleza.

A ex-ministra da Saúde dos dois governos do PSD liderados por Cavaco Silva disse que desde o início "não estava disponível" para "pôr em causa ou diminuir de intensidade" o seu envolvimento como presidente da Fundação Champalimaud, garantindo que continuará a cumprir essa missão.

No início de junho, fonte próxima de Leonor Beleza indicou à Lusa que a ex-ministra tinha sido convidada para integrar o novo Conselho de Administração da CGD, liderado por António Domingues, um cargo que aceitou, realçando tratar-se de um "lugar não remunerado".

Poucos dias depois, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse que o Conselho de Administração da CGD iria ter 19 elementos, sete executivos e 12 não executivos, sem indicar oficialmente os nomes da nova equipa liderada por António Domingues.