Está instalado o desconforto entre os oito gestores que tinham sido convidados para administradores não-executivos da Caixa Geral de Depósitos, e que acabaram por ser retirados da lista pelo Governo.

O Executivo percebeu que os oito nomes não cumpriam os requisitos legais por já exercerem vários cargos noutras instituições e empresas, e que por isso não iam passar no crivo do Banco Central Europeu. A solução foi retirá-los da lista, e a intenção do Governo é voltar a convidá-los depois de alterar a lei.

“Aqueles nomes continuam a parecer-nos adequados”, afirmou esta semana o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Ricardo Mourinho Félix, acrescentando que, depois de alterada a lei, e se não restarem incompatibilidades, “teremos de falar com as pessoas e perceber se continuam ou não disponíveis” para os cargos.

Mas alguns dos escolhidos vão ser difíceis de convencer. De acordo com o “SOL”, os gestores estão descontentes com a forma como o Executivo geriu a situação, permitindo que os seus nomes viessem a público sem que o aval do BCE estivesse assegurado.

É o caso de Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, que disse já à Lusa ter ficado surpreendida com o veto do BCE, do qual tomou conhecimento pela comunicação social.

Desde o início deixei claríssimo que não estava nem estou disponível para pôr em causa ou diminuir de intensidade o meu envolvimento como presidente da Fundação Champalimaud”, afirmou.

Segundo o semanário “Expresso”, o facto de não terem sido previamente informados pelo Governo de que os seus nomes iam ser excluídos, é outro fator de mal-estar.

Contactado pela TVI, o Ministério das Finanças passa a bola àquele que será o novo presidente da Caixa:

Todos os contactos com a equipa foram feitos pelo Dr. António Domingues”.

 

Ou seja, para Mário Centeno, quem tinha obrigação de avisar os gestores era o novo presidente, já que foi ele quem os convidou para a sua equipa.

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