A proposta do PSD para uma auditoria externa e independente à Caixa Geral de Depósitos (CGD), no âmbito da comissão de inquérito ao banco, mereceu o apoio do CDS-PP mas foi chumbada pela esquerda parlamentar.

O pedido social-democrata foi hoje discutido e votado em reunião da comissão de inquérito, com a esquerda a lembrar que o Governo já incumbiu a futura administração da Caixa de ordenar uma auditoria, e também em debate no parlamento está um projeto de resolução do Bloco pedindo uma auditoria forense.

"A questão para o PS nunca foi formal, é verdadeiramente política", acusou por seu turno o deputado social-democrata Hugo Soares, coordenador do PSD na comissão parlamentar.

Para o também vice-presidente da bancada "laranja", a auditoria que o Governo pediu à futura administração do banco público para encomendar poderia ser uma "espécie de auditoria caseirinha".

"Achamos que esta é uma auditoria que se impunha de fora para dentro", prosseguiu Hugo Soares, em declarações aos jornalistas no final da reunião de hoje, com o coordenador do PS na comissão a falar depois num "número político" do PSD.

Uma auditoria pedida pela comissão de inquérito seria "redundante", vincou o socialista João Paulo Correia, lembrando o pedido do Governo e também o projeto de resolução do Bloco que vai a votos na quarta-feira no parlamento.

"O PSD propõe que esta comissão parlamentar encomende uma auditoria mimetizando o objeto da própria comissão", disse por sua vez o deputado do Bloco no inquérito, Moisés Ferreira.

Já o coordenador comunista e deputado único do partido nos trabalhos, Miguel Tiago, sublinhou que para além do voto contrário ao pedido do PSD é também contra a auditoria forense que o BE recomenda, vincando não haver "nenhuma disposição legal que habilite a Assembleia da República a avançar com processos forenses".

Já João Almeida, do CDS-PP - partido que votou ao lado do PSD o pedido de encomenda de auditoria pela comissão - diz que todos os mecanismos fortalecem o "trabalho de escrutínio" dos parlamentares "ao que se passou na Caixa".

Na reunião de hoje da comissão de inquérito foram aprovados os nomes chamados pelo partido para serem ouvidos nesta fase, e o presidente da comissão, o social-democrata José Matos Correia, indicou que serão feitos os contactos com vista às futuras audições.

Até ao final do mês estarão na comissão parlamentar o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ainda presidente da Caixa, José de Matos, sendo expectável que as demais audições - que abarcam antigos ministros, quadros antigos e atuais da Caixa, reguladores e supervisores - sucedam apenas em setembro.