A Caixa Geral de Depósitos teve prejuízos de 205,2 milhões de euros no primeiro semestre. Um ano depois, passou portanto de lucros a prejuízos: entre janeiro e junho de 2015, o resultado tinha sido positivo em 47,1 milhões. Agora, o cenário é completamente diferente e estes números surgem numa altura em que o banco público está a ser alvo de uma reestruturação.

O produto bancário teve uma queda de 34,6% para 754,7 milhões de euros. O banco público justifica em grande parte estes números com os 47,4 milhões de euros negativos nos resultados de operações financeiras, “influenciados pela elevada volatilidade sentida nos mercados financeiros internacionais, incluindo a dívida pública, associada ao referendo do Reino Unido sobre a permanência na União Europeia”.

O comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários explica ainda que as margens financeiras estrita e alargada cresceram ambas, 5,5% e 2,8% para 568,7 e 598,3 milhões de euros, respetivamente, graças à “redução do custo do financiamento (…) que ultrapassou a redução também sentida nos juros de operações ativas”.

Já as comissões líquidas caíram 7,1% para 230,1 milhões de euros entre janeiro e junho, num período de “forte pressão concorrencial e regulamentar sobre a sua cobrança”, segundo o banco ainda liderado por José de Matos, e que em breve terá uma nova administração.

No primeiro semestre deste ano, a CGD constituiu 328,4 milhões de euros em provisões e imparidades, nomeadamente para crédito, um aumento de 2,1% face aos primeiros seis meses de 2015.

A CGD diz ainda que, apesar dos prejuízos totais no semestre, “o resultado de exploração core (soma da margem financeira estrita e comissões, deduzida dos custos operativos) aumentou 19,1% para 159,6 milhões de euros, influenciado pelo bom comportamento da margem financeira estrita e dos custos operativos”.

20 milhões gastos em reformas antecipadas

Outros números revelados dão conta de que foram gastos 20 milhões de euros no Plano Horizonte, para saída de trabalhadores através de reformas antecipadas, apesar de as contas hoje divulgadas não revelarem quantos colaboradores saíram até junho.

O comunicado enviado à CMVM diz que nos primeiros seis meses do ano, os custos com pessoal caíram 0,7% em termos homólogos para 374,5 milhões de euros.

Essa redução seria ainda maior - de 6% - se fossem excluídos os gastos com o Plano Horizonte, que ascenderam a 20 milhões de euros. No entanto, a CGD não divulga nem as saídas de trabalhadores em reformas antecipadas nem o total de funcionários que tinha no final do primeiro semestre, pelo que não é possível comparar para saber quantos rescindiram.

O Plano Horizonte foi lançado em 2015 com vista à saída de trabalhadores por reformas antecipadas e o objetivo é que seja fechado este ano. Só no ano de 2015 saíram da operação em Portugal 514 pessoas, com a ‘fatia de leão’ dos trabalhadores a ser referente ao Plano Horizonte.

Em fevereiro, o presidente executivo da CGD, José de Matos, disse aos jornalistas que, além dos mais de 300 trabalhadores que saíram em 2015 ao abrigo daquele plano, em 2016 ainda podiam sair ainda mais 700 no mesmo âmbito.

Quando apresentou os resultados do primeiro trimestre, a CGD revelou a saída de 103 colaboradores.

A CGD está em reestruturação e tem vindo a reduzir funcionários, tal como a maioria dos bancos, tendo o Governo já dito aos sindicatos que a redução de efetivos é para continuar e que entre 2017 e 2020 deverão ser cortados mais 2.500 postos de trabalho, através de reformas e rescisões antecipadas.