Primeiro, o CDS começou por propor a audição do novo presidente da Caixa Geral de Depósitos na comissão parlamentar de inquérito ao banco público. Depois, face à recusa dos partidos de esquerda, usou o seu direito potestativo para impor a presença de António Domingues, por forma a responder aos deputados no Parlamento.

"O CDS propôs a audição do recém-empossado presidente da CGD. Houve um entendimento divergente da maioria parlamentar que sujeitou a matéria a votação e chumbou a audição de António Domingues. Assim, o CDS exerceu o seu direito potestativo para ouvir já António Domingues", revelou aos jornalistas o deputado do CDS João Almeida.

O responsável falava no final de uma reunião da mesa e dos coordenadores dos grupos parlamentares nesta comissão de inquérito, informando que o chumbo de PS, Bloco de Esquerda e PCP se deveu ao entendimento que a audição de António Domingues fica "fora do objeto da audição", mas na ótica do CDS "está dentro" e é uma audição "muito pertinente".

Por isso, João Almeida indicou que o novo líder da CGD deve ser ouvido "num prazo razoável e rápido", de forma a fazer um "ponto da situação atual" do banco público e da "realidade" da instituição.

Um dos objetivos assumidos pelo CDS é "afastar a turbulência criada em torno da CGD devido à má gestão que o Governo fez deste processo nos últimos meses", vincou João Almeida, citado pela Lusa.

José de Matos Correia, deputado do PSD que preside a esta comissão de inquérito ao banco estatal, também falou com os jornalistas no final da reunião - que decorreu à porta fechada -, confirmando que ficou mandatado para falar com António Domingues de forma a agendar esta audição.

O político disse que um dos temas tratados no encontro de hoje foi o da recusa de envio de documentos por parte de várias entidades, como o Banco de Portugal e a CGD, devido ao entendimento que os documentos solicitados pelos deputados estão protegidos pelo sigilo bancário e pelo sigilo de supervisão.

Estas recusas levantam problemas graves aos trabalhos da comissão. E, no entendimento dos grupos parlamentares, não são aceitáveis"

Referiu ainda que vai agora voltar a contactar as diversas entidades para lhes solicitar novamente a documentação pretendida.

Ainda não ficou fechada a data da próxima reunião, já que a mesma vai depender das respostas que vão ser recebidas sobre a documentação solicitada. "Sem essa documentação é extremamente difícil prosseguir os trabalhos", destacou.

A comissão de inquérito à Caixa, imposta potestativamente por PSD e CDS-PP, tomou posse a 5 de julho na Assembleia da República, e debruça-se, por exemplo, sobre a gestão do banco público desde o ano 2000, abordando ainda os factos que levaram ao processo de recapitalização da CGD, recentemente aprovado por Bruxelas.