Os presidentes do BCP e do Santander Totta defenderam que é importante existir um banco público forte como a CGD em Portugal, pelo menos para já, depois de nos últimos anos ter existido um movimento favorável à privatização.

As declarações foram feitas durante a conferência “O presente e o futuro do setor bancário”, num hotel em Lisboa esta terça-feira, durante o painel de debate que juntou alguns dos principais presidentes de bancos a operar em Portugal.

O presidente do Santander Totta, Vieira Monteiro, recordou a sua passagem de 12 anos pela Caixa Geral de depósitos (CGD) para considerar que este banco é fundamental no apoio ao desenvolvimento da economia portuguesa.

Durante muito tempo, achei que [a CGD] podia ser privatizada. Hoje, atendendo ao momento, a manutenção como entidade pública é importante", afirmou o responsável pelo banco detido pelo espanhol Santander.

Uma posição semelhante foi partilhada pelo presidente do BCP, Nuno Amado, referindo contudo que a manutenção da CGD como entidade totalmente pública é importante "num período transitório".

Temos de ter um sistema bancário com alguma diversificação. Tem de ter uma componente privada forte, tem de ter neste período transitório uma componente pública importante e uma componente cooperativa", defendeu hoje o presidente do BCP, Nuno Amado.

No passado, quando ainda era presidente do Santander Totta, Nuno Amado defendeu que a CGD devia ser privatizada passado o período de crise, devido à distorção de concorrência que considera que um banco público implica no setor bancário. 

O presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, José de Matos, não participou no debate que juntou os principais responsáveis pelos bancos em Portugal. 

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O banco público está em mudança de equipa de gestão, devendo ser realizada em breve a assembleia-geral em que será nomeado António Domingues - atual administrador do BPI - como sucessor de José de Matos.

A privatização da CGD nunca avançou mas foi muito falada durante o anterior Governo, liderado por Passos Coelho. O anterior primeiro-ministro nunca assumiu publicamente, contudo, a intenção de avançar com uma alienação parcial do banco a investidores privados.