O ministro da Economia distinguiu esta terça-feira os políticos que procuram atrair investimento e os que olham para o capital como uma ameaça, esperando que os primeiros possam continuar a ter a voz principal nas políticas do país.

Pires de Lima, que falava em Cacia, na inauguração da ampliação da fábrica de pasta de papel da Portucel/Soporcel, realçou que aquele grupo industrial “depende muito pouco dos políticos”, mas estes podem favorecer um clima “amigo do investimento” ou, pelo contrário, ajudar a bloqueá-lo.

“O momento recomenda aos políticos que não ponham em causa aquilo que tanto trabalho deu a recuperar e esse é um valor que deve ser protegido. A recuperação depende da capacidade dos empresários, dos gestores, dos trabalhadores, mas também do bom senso dos agentes políticos e espero que os que têm procurado criar as condições para que a economia cresça possam continuar a ter a voz principal nas políticas do país”, afirmou.

Segundo Pires de Lima há políticos “que favorecem pela sua atitude o trabalho dos empresários, que procuram criar um quadro de estabilidade fiscal e estão comprometidos com as políticas da Europa”, mas há outros que “veem em cada grande empresa uma ameaça e olham para o capital como o diabo”, havendo uma “grande diferença” nas várias propostas.

O ministro lembrou que a Portucel foi privatizada em 2004, sendo hoje o maior grupo europeu de produção de pasta de eucalipto, porque “encontrou um grupo acionista estável, com visão estratégica e recursos de capital”.

“Só com um forte investimento conseguimos competir”, salientou o presidente do Conselho de Administração do grupo Portucel/ Soporcel, Pedro Queiroz Pereira, dando conta de que a ampliação da fábrica de Cacia aumenta a capacidade de produção em 20%, permitindo produzir anualmente mais 60 mil toneladas de pasta, o que representará um acréscimo de 30 milhões de euros em exportações.

Segundo o presidente executivo, Diogo Silveira, além do aumento da produção de pasta de papel, houve também investimento ambiental pelo que a fábrica de Cacia vai ter capacidade para produzir mais energia verde (336.7 MW/ano), pela queima de gases não condensáveis, e foi equipada com as mais modernas tecnologias para reduzir o odor do processo produtivo.

Silveira destacou que essa tem sido uma preocupação constante da unidade de Cacia que, desde 2002, diminuiu em 46% o consumo de água e em 67% as emissões de CO2.