Chocolate mais caro é algo que ninguém quer mas é uma realidade que pode estar próxima.

Barata Simões, secretário-geral da ACHOC, Associação dos Industriais de chocolates e confeitaria, avançou à tvi24, que têm havido um «enorme esforço para evitar que haja um agravamento» sobre o peço do chocolate.

Como «não há mercados locais» continua Barata Simões, a possibilidade de o mercado português se «aguentar sem fazer aumentos é escassa».

Estas declarações surgem depois das notícias da última semana que deram conta do aumento do preço do chocolate por parte de empresas norte-americanos, após o valor do cacau nos mercados ter subido 40%, no espaço de um ano, em Nova Iorque.

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O aumento da procura em mercados emergentes e a recuperação do consumo na Europa e nos EUA coincidiu com as preocupações sobre a seca no oeste africano, empurrando os preços do cacau para valores superiores.

«O preço do cacau teve um aumento violento», e já houve uma empresa nacional que «aumentou 7 ou 8 por cento, o preço final do produto».

À tvi24 algumas das principais empresas da chocolataria portuguesa dizem estar atentas a esta tendência de aumentos significativos do preço do cacau.

António Carvalho, da Néstle, disse que «a subida e a descida (do cacau) está a ser acompanhada», e admitiu que a Néstle não tinha aumentado os preços até à data.

Já a Arcádia mostra-se preocupada com esta situação, uma vez que o produto é «transacionado a nível mundial» e nos «últimos dois anos o cacau tem vindo a aumentar». João

Bastos, administrador da empresa, revela que o valor do aumento do cacau já foi superior a 20% nos últimos dois anos.

O responsável da Arcádia revela ainda que a empresa viu-se «forçada a rever os preços», atualizando os mesmos cerca de 10 por cento desde 2012.

João Bastos reforça que este aumento «não levou à queda de venda ao público».

Em 2013, segundo dados do jornal francês Le Figaro, a população mundial consumiu mais de 4 milhões de toneladas de cacau, mais 32 por cento do que há 10 anos.

Os principais importadores de cacau são os EUA, de acordo com a Organização Internacional do Cacau (ICCO), ainda com dados de 2011, com 715 mil de toneladas de cacau. A Alemanha importou 458 mil toneladas e a Bélgica 260 mil toneladas.

A produção de cacau concentra-se sobretudo no continente africano, especialmente na Costa do Marfim e no Gana, enquanto os principais consumidores estão na Europa, mais especificamente na Suíça e na Bélgica.

A cultura do cacau é feita, maioritariamente, em culturas de pequena e média dimensão, o que dificulta o aumento das áreas de produção e o cacaueiro precisa de pelo menos 10 anos de maturação para começar a produzir feijões de cacau.