«O Ministério Público investiga de acordo com aquilo que achar razoável. As buscas inseriram-se nesse processo. Foram, uma parte [delas] destinadas a obter informação que a CMVM necessitava e que recorrentemente não conseguia obter e, outra parte, para o próprio processo de investigação que o MP já tinha em curso nessa altura».

«A nossa convicção e com todas as reservas que isto tem de ter é que a circulação da informação - e tenho de dizer isto com todo o cuidado - poderia ter permitido à Oi conhecer» a situação.

Quem é que sabia, afinal, do avlutado investimento da operadora na holding não financeira do Grupo Espírito Santo? «Não sei dizer quem é que sabia, mas quem é que devia saber. Antes de mais, a comissão executiva da PT e o conselho de administração, em particular a comissão de auditoria. 900 milhões não é uma pequena quantia. E é uma grande quantia, certamente, para uma empresa que tinha a dívida que tinha a PT», realçou ainda.

Carlos Tavares questionou, finalmente, o porquê de os administradores da PT não terem canalizado esses 900 milhões precisamente para abater o endividamento da empresa.

Na sua audição, marcada pelo tema do papel comercial vendido aos balcões do BES, o presidente da CMVM disse que é uma «obrigação mais do que moral» reembolsar os clientes e não é «razoável que se peça mais dinheiro a quem não tem dinheiro para trazer» para o banco. Será alegadamente esta a solução proposta pelo Banco de Portugal, com um reembolso de apenas cerca de 30%, segundo vem relatado na imprensa económica desta quarta-feira. 

Carlos Tavares revelou, por outro lado, que a CMVM está a investigar 80 investidores por causa da venda «expressiva» de ações nas últimas semanas de vida do BES.