A taxa de juro da dívida alemã no mercado secundário está, pela primeira vez, negativa. Ou seja, os investidores pagam para ter títulos da dívida da maior economia da Europa.

De acordo com os analistas, esta queda está relacionada com a instabilidade do mercado financeiro, para a qual contribui a incerteza em torno do que pode acontecer no Reino Unido no dia 23 de Junho com a votação sobre a saída, ou não, do país da União Europeia.

Os analistas acreditam que a descida da “yield” alemãs a dez anos são consequência da opção por ativos de risco menos elevado, trocando as ações, por exemplo, por títulos da dívida.

A "yield" alemã a dez anos está a negociar nos -0,029%, depois do valor mais baixo ter sido atingido em Abril de 2015 mas nunca ter tocado taxas negativas nesta maturidade.

Fugir para o "seguro" sem receber nada em troca

A Alemanha junta-se assim ao Japão e à Suíça na taxa de juro de referência negativa para a subscrição de dívida a dez anos.

 

Os juros da dívida alemã a dez anos atingiram hoje valores negativos no mercado secundário. (Reuters)

A queda das "yields", que foi conduzida pela política de juros negativos e aquisição de ativos por parte Banco Central Europeu, acelerou depois dos Estados Unidos terem revelado os piores dados dos salários em seis anos, no passado doa 3 de Junho. A que acrescem as sondagens que dão conta de uma aproximação muito clara, para a votação do dia 23 de Junho, entre os que querem a saída e os a favor da permanência na União Europeia no Reino Unido.

“Ninguém compra "bunds" – títulos da dívida pública alemã – a estes níveis a acreditar que são atrativos”, disse à Bloomberg Jussi Hiljanen, economista chefe para a Europa da SEB AB em Estocolmo. “A procura  por ativos de refúgio está a ser conduzido pelos receios em torno do Brexit e do crescimento. Os investidores estão a comprar "bunds" para se protegerem da incerteza”.

Enquanto o colapso das “yields” é boa notícia para os governos, que estão a ter poucos custos de tomarem dinheiro de empréstimo e, em alguns casos, recebem um taxa para ficar com o dinheiro dos investidores, é um sinal de que mesmo intensificando os estímulos à economia, os bancos centrais lutam para impulsionar o crescimento e a inflação.

Segundo a Bloomberg, atualmente, cerca de 2,4 mil milhões de euros negociam a taxas de juro negativas na Europa. O que significa que todos estes investidores, que compram dívida agora e ficam com ela até à maturidade, vão receber menos do que pagaram.

Para já, os analistas acreditam que a “yields” alemãs a dez anos revelam sinais de que podem reverter a tendência como aconteceu no ano passado em abril. Após a queda, sem nunca tocarem valores negativos, houve uma venda massiva que puxou as “yields” para cima em menos de dois meses.