O parlamento alemão aprovou esta quarta-feira o terceiro resgate a Atenas. No Bundestag, 454 deputados votaram a favor, 113 contra e 18 abstiveram-se.

Wolfgang Schäuble aconselhou os deputados a aprovarem a assitência financeira ao país, admitindo que possam existir "boas razões" para desconfiar e votar contra.

"Se Atenas cumprir as condições acordadas no Memorando de Entendimento, a sua economia poderá voltar a crescer, o país reduzirá progressivamente a sua dívida e haverá criação de emprego", sublinhou o ministro das Finanças alemão no parlamento.


Embora tenha dito que "não há nenhuma garantia de que tudo vai correr bem e dar certo", Schäuble considerou que "seria irresponsável não dar uma nova oportunidade à Grécia".

O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) também vai aprovar esta quarta-feira o terceiro resgate para desbloquear uma primeira tranche de 23 mil milhões de euros. 

Esta tranche será dividida da seguinte forma: 10 mil milhões que vão estar imediatamente disponíveis numa conta especial do fundo de resgate da zona euro para a recapitalização da banca grega e 13 mil milhões de euros que Atenas irá receber na quinta-feira. 

Outros três mil euros serão desembolsados em setembro ou em outubro em uma ou duas tranches, sujeitas à implementação pela Grécia de medidas chave para os credores internacionais que constam do memorando de entendimento e que serão especificadas pelas instituições europeias e pelo grupo de trabalho do euro. 

Assim, a Grécia poderá contar receber um total de 26 mil milhões de euros dos seus parceiros da zona euro. 

Com o primeiro empréstimo de 13 mil milhões de euros Atenas poderá proceder à devolução de 3.400 milhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE), que vencem na quinta-feira, reembolsar o empréstimo-ponte de 7.160 milhões de euros que recebeu em julho da União Europeia e saldar dívidas domésticas em atraso. 

Os empréstimos do MEE, que conta com um capital de 80 mil milhões de euros e uma capacidade de empréstimo de 455 mil milhões de euros, terão um vencimento médio de 32,5 anos e os custos de financiamento rondam 1%, que varia em função das condições do mercado. 

Ainda esta quarta-feira, o vice-presidente da Comissão Europeia para o Euro, Vladis Dombrovskis, assinará o memorando de entendimento, no qual terá de constar também a assinatura de Atenas, segundo fontes comunitárias. 

O Eurogrupo aprovou a 14 de agosto o terceiro programa de ajuda para a Grécia, que vai disponibilizar ao país helénico um total de 86 milhões de euros durante três anos.