A Comissão Europeia entende que a economia portuguesa continua a apresentar "desequilíbrios económicos".

A avaliação de Bruxelas é, contudo, uma melhoria em relação ao ano passado quando esses desequilíbrios foram classificados como "graves".

Bruxelas diz que os riscos económicos nacionais foram reduzidos, por exemplo, em relação ao sector financeiro e ao desemprego.

Aos jornalistas, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse que "falamos sempre do copo meio-vazio ou meio-cheio. Mas hoje estamos com um copo a três quartos porque assinalamos um progresso. E é essa a mensagem de a Comissão, sublinhando, claro, que não saímos do caso. Os desequilíbrios continuam e que há progressos, ainda, a fazer e que vamos pedir ao governo português que prossiga."

A Comissão, ainda assim, entende que Portugal continua a enfrentar problemas, como o elevado nível de endividamento, e convida o Governo a apresentar um plano de reformas "ambicioso" em abril.

A Comissão Europeia publicou hoje a sua análise anual da situação dos Estados-Membros sob os pontos de vista económico e social, incluindo os progressos na implementação de as recomendações feitas, a cada país, e uma avaliação de possíveis desequilíbrios.

Segundo o documento, "a economia europeia está a expandir-se de forma robusta e a perspetiva económica, positiva, é acompanhada por uma melhoria do mercado de trabalho e da situação social. Isto reflete as reformas empreendidas pelos Estados-Membros nos últimos anos e proporciona uma janela de oportunidade para reforçar, ainda mais, a resiliência das economias e sociedades da União Europeia (UE)."

No entanto, a recuperação não está a beneficiar todos de igual forma e as fraquezas estruturais estão a atrasar o crescimento e a convergência em alguns Estados-Membros, conclui Bruxelas. “É por isso que, os países da UE devem usar este impulso para fortalecer as bases das suas economias.”

Os 27 relatórios nacionais, apresentados hoje (para todos os Estados-Membros, exceto a Grécia, que está sob o programa de estabilidade), baseiam-se “num intenso diálogo a nível técnico e político com os Estados-Membros, bem como com as partes interessadas a todos os níveis.”

Costa considera "boa notícia" redução dos desequilíbros macreconómicos

O primeiro-ministro, António Costa, classificou hoje como uma “boa notícia” Portugal ter saído da lista de Estados-membros com “desequilíbrios macroeconómicos excessivos”, afirmando ser necessário continuar a apostar na inovação como motor de desenvolvimento.

Mais uma vez tivemos a boa notícia de Portugal ter sido reclassificado e ter saído da classificação de graves desequilíbrios para a situação de desequilíbrios, juntando-se à generalidade dos países da União Europeia”, afirmou o chefe do Governo, no Porto, citado pela Lusa.

Para o primeiro-ministro, se Portugal quer “continuar esta trajetória, continuar a ter níveis de crescimento” como os registados no ano passado, “continuar a reduzir o desemprego” como tem vindo a reduzir e continuar “a ter finanças mais sólidas”, é preciso “apostar na inovação como grande motor de desenvolvimento”.

E para termos inovação precisamos de ter bom investimento, bom investimento estrangeiro e, para isso, é essencial investimento estrangeiro”, afirmou o primeiro-ministro, no âmbito da cerimónia de inauguração do Centro de Competências de Tecnologias de Informação da Natixis em Portugal.