Os ministros das Finanças da zona euro retomaram este domingo, em Bruxelas, negociações em torno de um terceiro programa de assistência à Grécia, mas as expetativas relativamente a um acordo são muito reduzidas.

Após a reunião de cerca de nove horas no sábado se ter revelado inconclusiva, o Eurogrupo volta a reunir-se hoje antes de uma cimeira de líderes da zona euro, mas vários intervenientes nas negociações manifestaram pouca esperança num compromisso à entrada para o encontro, que teve início cerca das 11:30 locais (10:30 de Lisboa), quatro horas e meia antes de uma cimeira da zona euro.

O vice-presidente da Comissão Europeu responsável pelo euro, Valdis Dombrovskis, admitiu ser “improvável” que os ministros das Finanças da zona euro deem um mandato ao executivo comunitário para iniciar negociações formais relativamente a um empréstimo a três anos (ao abrigo do novo fundo de resgate permanente, o Mecanismo Europeu de Estabilidade), tal como solicitado por Atenas.

Alexander Stubb, o ministro das Finanças da Finlândia, um dos países apontados como mais duros nas negociações, garantiu que “ninguém está a bloquear um acordo”, mas admitiu que um compromisso está distante, pois são necessários compromissos claros e “muito duros” por parte de Atenas, tendo comentado que as negociações se encontram em “três ou quatro” numa escala até dez.

Mais taxativo ainda foi o ministro das Finanças da Eslováquia, Peter Kazimir - outro dos atores das negociações que se tem revelado mais crítico das posições e propostas da Grécia -, segundo o qual simplesmente “não é possível alcançar um acordo hoje”, mas apenas “avançar com certas recomendações aos chefes de Estado”.

Já o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse esperar ainda que seja alcançado hoje um “bom acordo” sobre a Grécia, advertindo que a zona euro tem de se revelar à altura das responsabilidades, pois é isso que “o mundo espera”.

“É preciso ter consciência de que o mundo nos observa e do que o mundo espera. E precisamos de estar à altura do momento, porque o que o mundo espera é que nós sejamos capazes de estar à altura de um momento decisivo” e que “a zona euro se consolide, com uma Grécia reformada no seu seio”, declarou.


Os líderes da zona euro reúnem-se a partir das 16:00 locais (15:00 de Lisboa), num encontro que tem vindo a ser apontado há vários dias como absolutamente decisivo para a Grécia e para a zona euro e que deverá decidir entre um acordo em torno de um terceiro “resgate” a Atenas ou uma saída da Grécia da zona euro, o chamado “Grexit”.

Para hoje estava prevista também uma reunião dos 28 chefes de Estado e de Governo da União Europeia , imediatamente a seguir à cimeira da zona euro, mas o presidente do Conselho Europeu cancelou hoje de manhã o encontro, apontando que a cimeira do euro durará até estarem concluídas as conversações sobre a Grécia.

Portugal está representado no Eurogrupo pela ministra Maria Luís Albuquerque – que não prestou quaisquer declarações desde a sua chegada a Bruxelas, no sábado -, e na cimeira do euro pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.