O ministro da Administração Interna da Grécia, Nikos Voutsis, avisou esta quarta-feira em declarações à revista alemã Der Spiegel, que Atenas está em risco de não pagar 450 ME ao FMI, no dia 9 de abril.

«Se não fluir mais dinheiro até 9 de abril, primeiro iremos determinar que sejam pagos os salários e as pensões. E, depois, vamos pedir aos nossos parceiros para que se chegue a um acordo de que pagaremos os 450 milhões de euros ao FMI mas não será a horas».


No final da semana passada, Atenas enviou a Bruxelas um documento de 15 páginas com uma nova lista de reformas que, prevê o Governo grego, deverão resultar num excedente orçamental primário (sem pagamento de juros) de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), este ano abaixo dos 3% acordados com o anterior Governo, e num crescimento económico de 1,4% do PIB.  

O documento contém sobretudo medidas fiscais e de luta contra a fraude, com que são esperados arrecadar mais de 3.000 milhões de euros em receitas, e inclui ainda privatizações, como a da parte que falta do de Pireus e de aeroportos regionais.  

No entanto, a nova lista não agradou ainda aos credores. A imprensa tem noticiado divergências entre os dois lados, com o Grupo de Bruxelas a insistir em medidas mais detalhadas. Além disso, há ainda a questão – que já se começa a pôr – de saber o que irá acontecer após junho, quando termina o atual resgate à Grécia e o país continua sem conseguir financiar-se nos mercados.  

A 'luz verde' do Grupo de Bruxelas à lista de reformas é condição indispensável para desbloquear para a Grécia parte dos fundos da última fatia do programa de resgate (de 7,2 mil milhões de euros), que tem de ser tomada formalmente numa reunião do Eurogrupo.  

No entanto, esse encontro que junta os ministros das Finanças dos 19 países do euro só será marcado quando sair algo de concreto da negociações que têm vindo a decorrer, o que ainda não deverá acontecer nos próximos dias.  

A Grécia tem cada vez mais necessidade de assistência financeira no curto prazo para evitar uma situação de bancarrota. Se nada for feito, poderá haver incumprimento ainda durante o mês de abril face à escassez de dinheiro nos cofres públicos.  

O país tem de amortizar 15,5 mil milhões de euros em dívida aos seus credores até agosto, isto além das despesas correntes normais, como salários e pensões.  

Só em abril, tem de reembolsar 820 milhões de euros a vários credores, entre os quais 460 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional a 09 de abril, além da renovação de dívida pública que tem de fazer.  

Na segunda-feira à noite, num discurso perante o Parlamento grego, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, afirmou que pretende «um compromisso honesto» com os credores do país, mas acrescentou que não devem esperar uma «rendição incondicional».  

Depois da reunião de hoje do grupo de trabalho do Eurogrupo, por teleconferência, na próxima semana haverá uma reunião presencial deste grupo em Bruxelas para preparar o Eurogrupo informal que terá lugar em Riga (capital da Letónia), no final deste mês.