A Comissão Europeia espera que a dívida pública da Grécia atinja o máximo de 177% do PIB este ano, segundo o relatório divulgado esta sexta-feira em que considera que a retoma económica está próxima apesar dos riscos que persistem.

Segundo o documento da Comissão Europeia, após as missões realizadas na Grécia entre setembro de 2013 e março deste ano, o país está «em geral no bom caminho» no cumprimento das condições estabelecidas como contrapartida do segundo resgate.

Para Bruxelas, a recessão económica «está a tocar no fundo» e é esperado que a Grécia volte a crescer ao longo este ano, fechando o ano com uma subida do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,6%, igual à da previsão anterior, apesar de avisarem que «persistem riscos consideráveis» quanto à recuperação macroeconómica.

Quanto à dívida pública, é previsto que esta atinja o máximo de 177,2% do PIB este ano, face aos 175% de 2013,o que contraria o anterir relatório, de julho, que estimava uma ligeira queda este ano da dívida pública para 175%.

O documento de hoje prevê também que a dívida pública seja de 125% em 2020 e 112% em 2022. Valores que ficam acima da projeção anterior, em que era estimado que a dívida grega seria de 124% do PIB em 2020 e ficasse já abaixo de 110% em 2020.

Sobre as reformas estruturais, Bruxelas pede ao Governo grego que aplique o negociado «para restaurar e promover rapidamente o crescimento» e o emprego e diz estar preocupada com os possíveis atrasos que podem resultar do programa de privatizações, devido à persistência de «obstáculos significativos e ineficiências administrativas».

Quer ainda «novas reformas no mercado de trabalho», embora reconheça que «a sensibilidade desta questão pode tornar difíceis progressos nesta área».

Em relação ao setor financeiro, a Comissão Europeia diz que Atenas «continua empenhada em tomar todas as medidas necessárias para assegurar que os bancos estão saneados e adequadamente capitalizados» de forma a apoiar a retoma económica. No entanto, adverte, pode haver novas necessidades de capital nos bancos, especialmente se não fizeram urgentemente frente ao alto nível ativos problemáticos que têm nos seus balanços.

A Grécia está sob assistência financeira internacional desde 2010, tendo já recebido dois empréstimos da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) em troca de rigorosos programas de austeridade.

Um eventual terceiro resgate deverá ser discutido no verão. Em contrapartida desse terceiro pacote, a Grécia pode negociar um novo acordo de reduçao de dívida com os credrores.