O Governo alemão espera que esta quarta-feira seja possível, na reunião de técnicos do Eurogrupo, chegar a uma «avaliação preliminar» em torno da lista de reformas que a Grécia deve adotar para que saia do impasse e seja desbloqueado dinheiro.

O porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha, Martin Jager, referia-se à conferência telefónica do grupo de trabalho do Eurogrupo, que está a decorrer esta tarde para discutir as propostas de reformas que Atenas planeia executar.

De acordo com a Lusa, este encontro à distância junta altos funcionários dos ministérios das Finanças dos Estados-membros da zona euro e ainda representantes da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE) e acontece depois de, na terça-feira, a Grécia e o chamado Grupo de Bruxelas (Comissão Europeia, BCE, Fundo Monetário Internacional e Mecanismo Europeu de Estabilidade) terem interrompido as negociações que vinham acontecendo desde sexta-feira.

No final da semana passada, Atenas enviou a Bruxelas um documento de 15 páginas com uma nova lista de reformas que, prevê o Governo grego, deverão resultar num excedente orçamental primário (sem pagamento de juros) de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), este ano abaixo dos 3% acordados com o anterior Governo, e num crescimento económico de 1,4% do PIB.

O documento contém sobretudo medidas fiscais e de luta contra a fraude, com que são esperados arrecadar mais de 3.000 milhões de euros em receitas, e inclui ainda privatizações, como a da parte que falta do de Pireus e de aeroportos regionais.

No entanto, a nova lista não agradou ainda aos credores. A imprensa tem noticiado divergências entre os dois lados, com o Grupo de Bruxelas a insistir em medidas mais detalhadas. Além disso, há ainda a questão – que já se começa a pôr – de saber o que irá acontecer após junho, quando termina o atual resgate à Grécia e o país continua sem conseguir financiar-se nos mercados.

A 'luz verde' do Grupo de Bruxelas à lista de reformas é condição indispensável para desbloquear para a Grécia parte dos fundos da última fatia do programa de resgate (de 7,2 mil milhões de euros), que tem de ser tomada formalmente numa reunião do Eurogrupo.

No entanto, esse encontro que junta os ministros das Finanças dos 19 países do euro só será marcado quando sair algo de concreto da negociações que têm vindo a decorrer, o que ainda não deverá acontecer nos próximos dias.

A Grécia tem cada vez mais necessidade de assistência financeira no curto prazo para evitar uma situação de bancarrota. Se nada for feito, poderá haver incumprimento ainda durante o mês de abril face à escassez de dinheiro nos cofres públicos.

O país tem de amortizar 15,5 mil milhões de euros em dívida aos seus credores até agosto, isto além das despesas correntes normais, como salários e pensões.

Só em abril, tem de reembolsar 820 milhões de euros a vários credores, entre os quais 460 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional a 09 de abril, além da renovação de dívida pública que tem de fazer.

Na segunda-feira à noite, num discurso perante o Parlamento grego, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, afirmou que pretende «um compromisso honesto» com os credores do país, mas acrescentou que não devem esperar uma «rendição incondicional».

Depois da reunião de hoje do grupo de trabalho do Eurogrupo, por teleconferência, na próxima semana haverá uma reunião presencial deste grupo em Bruxelas para preparar o Eurogrupo informal que terá lugar em Riga (capital da Letónia), no final deste mês.