O presidente da Comissão Europeia considerou esta terça-feira, em Estrasburgo, que os governos nacionais interiorizaram a ideia de que é necessário manter as finanças públicas em ordem, após «alguns» terem pensado que podiam gastar indefinidamente o que não tinham.

«Penso que podemos dizer que a necessidade de finanças públicas sãs está agora enraizada. Não era assim há alguns anos. Alguns governos pensavam que podiam continuar e continuar a gastar dinheiro que simplesmente não existia nos tesouros», afirmou Durão Barroso, num debate no Parlamento Europeu sobre o «semestre europeu» de coordenação de políticas económicas e orçamentais.

Segundo o presidente do executivo comunitário, o «semestre europeu» implementado na Europa contribuiu decisivamente para reagir à crise, já que «levou a reformas estruturais e orçamentais concretas e significativas, que ajudaram a restaurar a confiança».

«Acrescentou uma dimensão económica forte a um leque de políticas, da fiscalidade à energia, do transporte à investigação, do clima e ambiente ao sistema de justiça. Durante os momentos mais sensíveis da crise, a grande questão que os mercados e os nossos parceiros nos colocavam não era tanto sobre o défice deste ou daquele país, mas sim sobre a nossa vontade politica de trabalhar juntos, designadamente na zona euro. E ao por em prática um sistema de coordenação reforçada, a Europa mostrou que havia e há uma vontade de aprender as lições da crise e evitar alguns erros do passado», disse.

Referindo-se a esses «erros do passado», Durão Barroso sustentou então que os Estados-membros se consciencializaram da necessidade de disciplina orçamental, sublinhando também que «os défices foram reduzidos para metade» e foram implementadas e estão em curso «reformas estruturais significativas» para aumentar a competitividade das economias, designadamente ao nível da modernização dos mercados de trabalho e administrações públicas.

Durão Barroso admitiu todavia que a crise não estará ultrapassada enquanto a taxa de desemprego, sobretudo entre os jovens, permanecer tão elevada, e defendeu a necessidade de se utilizar «o orçamento comunitário em todo o seu potencial», gastando bem «cada euro», e num espírito de solidariedade, para promover o crescimento e emprego, assim como a coesão.