O comissário europeu do Emprego advertiu esta terça-feira que as recentes melhorias nos dados sobre o desemprego em países como Portugal são «menores» e considerou que o mais alarmante é o «fosso crescente» entre países do centro e periferia.

«Os últimos dados do desemprego confirmam que a falta de trabalho deixou de crescer nalguns países, incluindo Espanha, Portugal e Irlanda. Mas é necessária prudência. Os recentes progressos são menores, e a situação ainda está muito tremida», disse László Andor, que intervinha numa conferência, em Bruxelas, sobre um novo modelo para uma União Monetária sustentável.

Lembrando que «mais de 26,6 milhões de pessoas à procura de emprego estão ainda sem trabalho na UE» e que, «entre os desempregados, mais de 5,5 milhões têm menos de 25 anos», o comissário responsável pelo Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão comentou que «o que é mais alarmante, nestes números, é o fosso crescente entre o norte e o sul, o centro e a periferia».

«Nos últimos cinco anos, experimentámos muito poucos progressos sociais e demasiados danos sociais», admitiu, apontando designadamente os prejuízos resultantes para os Estados sociais após a implementação dos programas de ajustamento orçamental durante a crise da dívida.

Referindo que os danos causados pela crise foram analisados e nos últimos anos «agiu-se em muitas frentes», o comissário Andor defendeu todavia que o que é necessário é que «esta ação política também deve ter um carácter mais sistémico e levar a uma reconstrução do próprio modelo social europeu».