A Comissão Europeia alertou esta quinta-feira que a dívida pública deverá ficar acima dos 100% do Produto Interno Bruto (PIB), pelo menos, até 2030 e que choques negativos «plausíveis» podem «piorar consideravelmente» a dinâmica da dívida.

De acordo com a Lusa, no relatório hoje divulgado sobre Portugal, em que Bruxelas dá seguimento ao mecanismo de alerta (de desequilíbrios macroeconómicos) realizado em novembro no âmbito do calendário do Semestre Europeu, estima-se que, «tendo em conta o ponto de partida muito elevado, o rácio da dívida deverá permanecer acima do nível anterior à crise (66% em 2008) por muitos anos, não caindo abaixo dos 100% do PIB antes de 2030».

Além disso, Bruxelas aponta que a trajetória de queda da dívida pública «é sensível à volatilidade do mercado e vulnerável a desenvolvimentos económicos adversos».

Considerando que a sustentabilidade da dívida «é robusta» numa série de cenários, o executivo comunitário alerta, no entanto, que «choques plausíveis podem piorar consideravelmente a dinâmica da dívida pública de Portugal».

A Comissão Europeia refere ainda que um fraco crescimento nominal, aumentos das taxas de juro repentinos e um abrandamento dos esforços orçamentais podem «colocar o rácio da dívida pública fora do controlo».

Os técnicos europeus afirmam que as medidas discricionárias subjacentes à estratégia orçamental recente «têm sido substancialmente reduzidas», o que quer dizer que a redução do défice orçamental decorre «sobretudo da recuperação cíclica em curso».

Para Bruxelas, isto «não facilita» o cumprimento dos objetivos de médio prazo «nem ajuda a reduzir o nível elevado da dívida pública».

A Comissão antecipa que a dívida pública portuguesa tenha atingido os 128,9% do PIB em 2014, caindo este ano para os 124,5% e para os 123,5% em 2016, ao passo que o Governo prevê que a dívida fique nos 123,7% em 2015.

Já quanto ao défice orçamental, o executivo calcula que caia para os 2,7% este ano e para os 1,5% em 2016, uma previsão que é mais otimista do que a de Bruxelas, que aponta para um défice orçamental de 3,2% em 2015.

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